- Uma casa compra-se para uma vida.- Uma casa é sujeição da bolsa por uma vida, quiçá, por mais.
- Uma casa é – quantas vezes! – um pesadelo insuperável na vida de cada um e de todos
- Uma casa é ela e a sua garantia.
- Mas a garantia – é quantas vezes! – um fumo – e não bonus fumus juris – um fumo bom de direito, que se dissipa.
- Daí que cumpra discutir o que a montante e a jusante se acha.
É fundamental que nos entendamos.
Para que as leis não sejam uma mera imposição cega que todos descumprem.
Para que a lei seja a via do respeito pela esfera de cada um.
E para que saibamos agir em consonância. Em concertação. Sinónimo de tolerância consentida. E de vivência plural e assumidamente participativa.
Porque é na participação que a democracia se revê e louva.
Não pode o País distrair-se dos seus objectivos como espaço de interesses convergentes.
Para que a imagem não seja a dos agrupamentos ideológicos partidários, em que como Alegre afirmava, os adversários estão fora e os inimigos dentro.
Para que à sociedade civil cumpra – sem a pretensão de oferecer lições seja a quem for… – dar-se as mãos. E para que se não afirme, como outros fizeram, que em Portugal só há uma lei que se cumpre – a da gravidade. Enquanto não houver quem descortine forma de a contrariar, desaplicando-a, diremos nós.
Para que Portugal não seja o sítio infecto de que falava Eça nem uma extensa Ribeira dos Milagres – e para que se possa entrever o Portugal eterno de que falavam os novos maiores, urge que nos entendamos e nos demos as mãos para que o património edificado e os que nele coenvolvidos desfrutem de uma aura de dignidade que a todos enobreça.
Cumpriu-se o mar.
Cumpriu-se a gesta.
Falta cumprir-se Portugal.
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