[ Diretor: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano XII

terça-feira, 17 de abril de 2007

Educação para a publicidade?...

Às escolas o que é das escolas. À publicidade o que é da publicidade!...

Dos jornais:

“A secretária-geral da Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN) afirmou ontem que o ensino de conteúdos relacionados com publicidade vai arrancar no próximo ano lectivo nas escolas portuguesas.
A APAN acredita verdadeiramente que, mais do que retirar as crianças do mundo comercial onde vivem, é necessário dar ferramentas para que consigam compreender e descodificar esse mundo” e que possam ser, no futuro, consumidores mais esclarecidos e informados, defendeu.
O programa “Media Smart” é um projecto de literacia em publicidade baseado no ensino extracurricular de temas e conceitos relacionados com a comunicação comercial de marcas e entidades, tendo como grupo-alvo crianças entre os 6 e os 11 anos (1º e 2º ciclos).
(vide aqui)
Para o desenvolvimento do “Media Smart”, que já foi lançado em outros países europeus, nomeadamente no Reino Unido, a APAN está a constituir um “grupo de peritos”, que irá integrar professores, psicólogos, educadores, anunciantes, associações de consumidores e, possivelmente, um elemento do Governo.
O grupo de peritos está em fase de constituição”, referiu Manuela Botelho, sem revelar nomes, adiantando que esta comissão vai contar com cerca de 11 elementos e que terá a primeira reunião no final do mês. De acordo com a secretária-geral da APAN, o programa vai implicar formação de professores, podendo ser leccionado enquanto disciplina autónoma ou ser introduzida em disciplinas curriculares já existentes.”

Nada que espante!

O que perturba, porém, é que o Governo não dê estrito cumprimento às injunções do artigo 6.º da Lei de Protecção do Consumidor e surja agora uma iniciativa do jaez desta, na estrita dependência dos anunciantes.

E o artigo a que nos reportamos (art. 6.º) contém um autêntico programa de vida para os Ministérios da tutela, os conceptores dos curricula escolares, os estabelecimentos de ensino, os coordenadores pedagógicos e os formadores:


“1- Incumbe ao Estado a promoção de uma política educativa para os consumidores, através da inserção nos programas e nas actividades escolares, bem como nas acções de educação permanente, de matérias relacionadas com o consumo e os direitos dos consumidores, usando,
designadamente, os meios tecnológicos próprios numa sociedade de informação.
2- Incumbe ao Estado, às Regiões Autónomas e às autarquias locais desenvolver acções e adoptar medidas tendentes à formação e à educação do consumidor designadamente através de:
a) Concretização, no sistema educativo, em particular no ensino básico e secundário, de programas e actividades de educação para o consumo;
b) Apoio às iniciativas que neste domínio sejam promovidas pelas associações de consumidores;
c) Promoção de acções de educação permanente de formação e sensibilização para os consumidores em geral;
d) Promoção de uma política nacional de formação de formadores e de técnicos especializados na área do consumo.
3- Os programas de carácter educativo difundidos no serviço público de rádio e de televisão devem integrar espaços destinados à educação e à formação do consumidor.
4- Na formação do consumidor devem igualmente ser utilizados meios telemáticos, designadamente através de redes nacionais e mundiais de informação, estimulando-se o recurso a tais meios pelo sector público e privado.”


De estranhar é que se dê como consabido que o denominado “Media Smart” entre em vigor já no próximo ano lectivo, ultrapassando-se decerto as autoridades escolares (!) e, numa hábil articulação, de molde a obviar a que se argumente que se pretenda confiar o redil ao lobo, se avance com a hipótese da constituição de um “grupo de peritos”, por forma a dissimular o papel de direcção dos anunciantes e a efectiva condução estratégica que lhes caberá neste congenho…

Andamos há um ror de anos a bradar no deserto em favor de uma consequente estrutura curricular que privilegie a educação para a sociedade de consumo - na sua transversalidade -, como via para o fornecimento de uma armadura que garanta os jovens consumidores contra os artifícios e os embustes de um mercado atrabiliário, de uma agressividade sem par, iníquo e socialmente irresponsável, e de banda de quem se defende, contra-atacando, surge, na esteira do que se ensaiou na Grã-Bretanha, a peregrina ideia de lançar de motu próprio, em arranjo ainda por definir, a educação para a ora denominada comunicação comercial… se calhar, com o beneplácito do Governo ou, ao menos, do Ministério da Educação!

Desde Marçal Grilo que aguardamos se ultrapasse a mera reflexão em torno de uma tal problemática, que o próprio ministro prometera empreender no seio do Ministério da Educação, em resposta a um repto nosso. A 15 de Março pretérito houve a assinatura simbólica de um protocolo entre o extinto Instituto do Consumidor e a Direcção-Geral de Inovação Pedagógica com o propósito (!) de conferir expressão ao que no invocado artigo 6.º se plasma. Mas para além de meros arremedos, de fogachos ocasionais, nada se fez de relevante em termos curriculares até então. E a primeira lei de protecção do consumidor data de 1981…

O Estado tem mandado às urtigas preocupação primeira, qual seja, a de se conferir às crianças, aos jovens e aos adolescentes adequada educação e formação para se conduzirem com acerto no mercado de consumo.

Os malefícios de uma publicidade aparentemente sem freios já não poderão escamotear-se. A publicidade invade as escolas de distintas formas: as crianças, os jovens e adolescentes são uma apetecida presa, por definição “nada desprezível”, para anunciantes, publicitários e suportes.

E, quando de certos quadrantes se advoga pura e simplesmente, na esteira de alguns países nórdicos, a proibição da publicidade dirigida a menores de 12 ou 14 anos, são os anunciantes que - de molde a não perder a parada -, em acto de contrição e em jogada de antecipação, associando-se às vozes de protesto (tal como, noutra circunstância, o fizera o ministro da Agricultura de Guterres) intentam asseverar que o que os move é habilitar as cândidas criancinhas (et pour cause…) a entender o sentido e alcance das mensagens de publicidade e a autoproteger-se.

E os frouxos e inconsequentes poderes públicos escancaram-lhes as portas das escolas de par em par… atentos, veneradores e obrigados?!

Impõe-se que se desafivelem as máscaras e que joguemos jogo limpo! Às escolas o que é das escolas. À publicidade o que é da publicidade, com a corte de anunciantes, de empresas de criação e de suportes…

Os tempos são de tamanha perturbação que já não admira que os lobos ousem travestir-se de cães e respondam aos anúncios (lá está a publicidade!) para provimento de lugares de guardas do rebanho!

Haja (ou aja?) Deus!

Mário Frota
Fortaleza, Abril de 2007

4 comentários:

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