[ Director: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano VI

Sexta-feira, 29 de Junho de 2007

Instalações eléctricas: os perigos do envelhecimento

A Lei de 13 de Julho de 2006 sob a epígrafe “Compromisso Nacional para a Habitação” prevê que em caso de venda de um bem imobiliário, se elabore um diagnóstico do estado da instalação interior de electricidade a fim de avaliar os riscos de toda a instalação de há mais de 15 anos.
Esta medida é requerida de há muito pela Comissão da Segurança dos Consumidores (CSC), mas um diagnóstico não chega a garantir a segurança de uma instalação e carecer-se-á de vários decénios para conhecer o estado do conjunto das redes.


A CSC na origem de uma tomada de consciência
Desde 1987, a CSC editou um parecer preconizando o diagnóstico do estado da instalação eléctrica na altura da cessação ou da locação da habitação e uma larga informação sobre as condições mínimas de segurança. Medidas que permaneceram sem efeitos. De onde, um segundo parecer emitido em Dezembro de 2003, no qual a Comissão preconizava a elaboração de um guia de boas práticas para a colocação em segurança das instalações eléctricas antigas e novas, renovando a sua exigência de um controlo periódico.

Conforme tem 30 anos, perigoso hoje
Em França, mais de um quarto das instalações eléctricas são potencialmente perigosas e 2,3 milhões de alojamentos são considerados como muito perigosos. Os materiais usados nas instalações já não permitem alimentar correctamente os aparelhos eléctrico-dependentes aquando do aumento da potência.

Que riscos, que soluções?
Mais de um terço dos incêndios domésticos têm a sua origem nas instalações eléctricas. Em causa, o aquecimento das tomadas e das fichas que conduz, pouco a pouco, ao incêndio de materiais combustíveis, ou a um curto-circuito que provoca a incandescência. Para evitar isto, um disjuntor ou um fusível adaptado ao diâmetro dos fios eléctricos é indispensável na origem de cada circuito. Esses dispositivos de protecção devem ser reagrupados num só nível de repartição, a fim de se lhes aceder facilmente.
As fichas partidas, os fios eléctricos desnudados, os aparelhos defeituosos estão na origem da maior parte dos acidentes (queimaduras que causam 4 000 vítimas/ano) e electrocussões (rondam uma centena por ano). Para se prevenir, a instalação de disjuntores diferenciais de alta sensibilidade (30mA) é indispensável à protecção das pessoas.
Por outro lado, sem disjuntor geral, impossível é cortar a corrente face a uma situação de urgência ou de intervenção sobre a instalação. Sem ligação à terra, um simples mau contacto num aparelho manejado pode levar a uma tensão anormal de massas metálicas e a risco de electrocussão. A presença de uma tal tomada, correctamente ligada a um circuito de ligação à terra, permite evacuar em direcção ao solo toda a energia eléctrica potencialmente perigosa. Um dispositivo diferenciado deve ele mesmo ser associado, a fim de detectar as falhas de corrente e proteger a instalação.
Na casa de banho ou na cozinha, a presença de água aumenta mais o risco de electrocussão. Para se escapar, é indispensável ligar todos os elementos metálicos à tomada de ligação à terra por um condutor eléctrico (é a ligação equipotencial) e respeitar as distâncias de segurança entre os pontos de água, os aparelhos eléctricos e as tomadas eléctricas.
Estas medidas preventivas permitem, por si só e com pouca despesa, atalhar 90% dos riscos.
Especificadas no “Guia de Colocação em Segurança das Instalações Eléctricas existentes no Habitat”, editada pela Promotelec, a CSC recomenda a sua adopção.

OPINIÃO DO ESPECIALISTA

TRÊS QUESTÕES A M. CLAUDE DESCOMBES
DIRECTOR GERAL DA PROMOTELEC (ASSOCIAÇÃO PRIVADA DE PROMOÇÃO DA SEGURANÇA E DA QUALIDADE DAS INSTALAÇÕES ELÉCTRICAS)

Como classifica a sua última campanha: conflituosa ou afrontosa?
CD:
Trata-se de uma causa nacional. Pareceu-nos importante que a Promotelec tomasse a palavra em nome da fileira eléctrica que sempre se moveu em torno da segurança. O aspecto do cartaz foi escolhido pelos consumidores reunidos pelo pré-teste, não para provocar, mas para convidar à acção. Como especialistas, pareceu-nos muito «emocional». Mas em termos de acção, a marcha é progressiva: sensibilizamos os consumidores e levamos-lhes uma resposta gradual com um prospecto e duas ferramentas interactivas, permitindo fazer o ponto sobre a sua instalação antes de se dirigir a um profissional para um diagnóstico completo.

Os diagnósticos de segurança das instalações estabelecidos pela Promotelec reflectem a realidade do parque habitacional?
CD:
Uma instalação pode estar conforme em um dado momento, mas as necessidades evoluem. Por exemplo, os números de aparelhos multiplicam-se e podemos rapidamente ter um acréscimo no aumento, criando uma sobrecarga. Nós realizamos 4 000 a 5 000 diagnósticos por ano. No total dispomos de uma base de informação de 30 000 a 40 000 diagnósticos, o que é suficiente para ter uma imagem do parque. Em compensação, o estudo de 5 000 relatórios resultantes dos nossos diagnósticos mais recentes mostra-nos que 9 em cada 10 casos as dúvidas do consumidor se reconheceram como reais: o diagnóstico ajuda a passar à acção.

Como vê você a evolução do parque das instalações no ano que segue?
CD:
O diagnóstico não chega para fazer evoluir as coisas de maneira significativa. O nosso objectivo é o de transformar o utilizador em actor da sua segurança. Por exemplo, se um locatário tem dúvidas sobre o estado da sua instalação, o teste à distância a partir de fotos dar-lhe-á por um preço de 15 euros, os argumentos técnicos para sensibilizar o seu proprietário.

Fonte: La Lettre, Commission de la Sécurité des Consommateurs
Janeiro/Fevereiro 2007
Tradução: Jorge Frota

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