A China produz 48% dos produtos perigosos que entram na nos países da União Européia (UE), informou nesta segunda-feira a comissária européia para a Segurança do Consumidor, Meglena Kuneva, durante uma visita que pretende sensibilizar Pequim a fiscalizar os produtores chineses.
"Os produtos mais perigosos que entram na Europa são os brinquedos, produtos elétricos e produtos para indústria automobilística. E 48% deles vêm da China", disse Kuneva em entrevista coletiva.
A comissária afirmou que as autoridades chinesas ainda não tomam as medidas suficientes para proteger os consumidores, apesar das notificações das européias, que se seguem à proibição da entrada dos produtos no mercado.
"Nós [autoridades européias] fornecemos às autoridades chinesas a origem dos produtos perigosos e assinalamos o que está errado com os produtos", disse Kuneva
"Gostaríamos de ver o resultado da vigilância na origem dos produtos, há aqui espaço para melhorar", afirmou a comissária, cuja visita de cinco dias à China se segue à entrada de produtos chineses perigosos nos mercados americanos.
Casos
No Panamá, 94 pessoas morreram devido a erros nos rótulos de medicamentos, enquanto toxinas mortais causaram a morte de centenas de animais de estimação nos Estados Unidos.
No início do mês, a Autoridade de Segurança Alimentar e Econômica portuguesa apreendeu cerca de 60 mil unidades de creme dental, após um alerta da Comissão Européia detectar na Espanha um creme dental importado da China, contaminada com uma substância tóxica.
Kuneva, que se encontrou nesta segunda-feira com ministro da Administração-Geral de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena, Li Changjiang, disse depois do encontro ser necessário que a China "aprofunde as reformas no mercado e na vigilância do mercado".
"Recentemente, alguns países criticaram a qualidade das exportações chinesas. Algumas críticas são justificáveis, outras não. De qualquer forma, como um país e um governo responsáveis, vamos melhorar os nossos esforços para garantir a qualidade das nossas exportações", disse Li, em declarações aos jornalistas após o encontro.
"O que interessa de fato é a aplicação da legislação, como as autoridades chinesas lidam com este problema. É tudo uma questão de realizar operações de vigilância nos locais de produção", afirmou a comissária.
A UE dispõe de um sistema de alerta rápido de produtos perigosos não-alimentares, o Rapex. Segundo dados do sistema, a China é o maior mercado de origem de produtos perigosos na Europa e a Alemanha, o segundo, produzindo 5% dos bens de consumo perigosos que entram no mercado europeu.
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