[ Director: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano VI

Segunda-feira, 23 de Julho de 2007

Puericultura: andarilhos ou não?

A conclusão dos autores do estudo francês é, inapelável: “o método preventivo mais eficaz” será o abandono da utilização dos andarilhos.

Antigamente era considerado como uma revolução permitir ao bebé deambular, num andarilho, pela casa, enquanto a mãe cozinhava. O andarilho é hoje objecto de numerosas críticas. Interditado no Canadá, depois de 2004, controverso nos Estados Unidos e em numerosos países europeus, seu futuro é mais do que incerto.
Em Abril último, a CSC - Comissão francesa de Segurança dos Consumidores foi de novo interpelada por causa de um acidente que pôs em causa este tipo de aparelhos. O andarilho da pequena Emma, com 10 meses, curvou-se bruscamente, apertando assim as pernas ao nível dos maléolos. Resultado: fracturas da tíbia e do perónio em ambas as pernas. Os acidentes deste tipo não são novos. Já em 1988, a CSC tinha emitido um parecer sobre o assunto apontando para a falta de estabilidade e resistência do assento de certos andarilhos. Este parecer foi, de resto, seguido de um decreto (20.12.1991) relativo à prevenção destes riscos.
Em 2005, uma nova norma (NF EN 1273) reforçou, portanto, as exigências de segurança e dos métodos de ensaio deste tipo de artigos, nomeadamente no que se prende com a prevenção das quedas nas escadas, principal causa de acidentes com andarilhos. Mas isto parece ainda insuficiente, segundo a Sociedade Francesa de Pediatria, que publicou no seu site da Internet, em Dezembro de 2006, um estudo exaltando a interdição dos andarilhos. «Esta prática insegura e perigosa deverá ser banida em França», podemos ler nas conclusões deste estudo realizado pelo Serviço de Urgências Pediátricas do CHU de Toulouse. Entre Janeiro de 2003 e Dezembro de 2005, 178 crianças dos 7 aos 12 meses foram recebidas neste serviço por acidentes com andarilhos. Este produto de puericultura será a origem de onze casos de acidente na vida quotidiana, em mil. O estudo contradiz assim um relatório do IVS que relatava entre 1996 e 2000 o número de 18 por 10000.
Quanto às sequelas nas crianças, 72% entre elas não sofreram além de um traumatismo craniano ligeiro, enquanto 21 crianças foram hospitalizadas por comoções cerebrais. Na maioria dos casos (78%) a causa de acidente foi uma queda nas escadas. Por outro lado, o pico dos acidentes, registados às horas das refeições ou da sua preparação, deixa supor que os seus progenitores utilizam os andarilhos como “substitutos das baby-sitters”. Trata-se, enfim, de virtudes dos andarilhos na aprendizagem da autonomia, os estudos canadenses e americanos demonstraram que estes dispositivos retardarão a idade de andar em três semanas ou serão responsáveis por problemas de equilíbrio.
A conclusão dos autores do estudo francês é, inapelável: “o método preventivo mais eficaz” será o abandono da utilização dos andarilhos.

CONSELHOS PRÁTICOS
» Utilizar os andarilhos em superfícies planas, longe de degraus ou de escadas
» Privilegiando os andarilhos com um sistema de travagem, rapidamente accionável por um adulto
» Utilizar o andarilho no máximo durante uma hora por dia e por períodos de 15 minutos
» Afastar os andarilhos das portas dos fornos quentes e dos vidros inseridos nas lareiras
» Cessar a utilização quando a criança adquire velocidade ou começa a andar

Fonte: “La Lettre – Commission de la Sécurité des Consommateurs
Maio-Junho 2007, nº 79, pág. 2
Tradução: Jorge FROTA

0 comentários: