Escritos de nosso baú... que mantém actualidade!
O excessivo endividamento das famílias tem origem em um sem número de factores, a saber:- dissolução do casamento por morte
- dissolução do casamento por divórcio
- incapacidade física ou doença prolongada
e
- desemprego.
As situações de desemprego - e as de desemprego que afectam marido e mulher - levam, em geral, a que prestações essenciais, como as da casa comprada por meio de empréstimo bancário, se deixem de pagar.
O desemprego tem crescido nos dois últimos anos em Portugal.
O crédito malparado na habitação, por via disso, disparou.
Entre Janeiro e Setembro deste ano o crédito malparado subiu em flecha – 27%.
E os números que atinge são invulgares: 900 milhões de euros.
Por muito que se queira dourar a pílula, os números aí estão.
Matou-se o mercado do arrendamento.
Num país com os salários mínimo e médio mais baixos da Europa e sem mercado de arrendamento compatível, todos se precipitaram para a compra de casa.
Porque era mais barato comprar do que arrendar.
Os erros de gente míope que não sabe onde põe a cabeça e menos ainda os pés, aí estão.
São sempre as gerações mais novas que pagam a factura dos cabeçudos dos mais velhos.
O congelamento das rendas a 12 de Setembro de 74, pelos revolucionários de Abril, a coroar o congelamento em Lisboa e Porto da lavra do Estado Novo, e a inconsequente falta de coragem dos sucessivos governos aí está:
No envelhecimento e degradação do parque habitacional, na miseranda expressão das rendas antigas apesar dos arremedos de actualização, a condenação dos jovens a serem proprietários a qualquer preço com o signo da escravatura por uma vida, porque a lotaria do Natal não sai a todos.
E, afinal, com o desemprego, o desespero de quem não pode pagar a prestação mensal e se vê em palpos de aranha para resolver, debilitado, psicológica e materialmente, a questão.
Quem se apresta a encarar politicamente o problema, já que é de um problema de política social que se trata?
É que se o malparado é um problema para as instituições, a falta de tecto para as famílias (e o que daí advém) é um autêntico drama social…
Mário FROTA
Presidente da apDC - associação portuguesa de Direito do Consumo
Presidente da apDC - associação portuguesa de Direito do Consumo
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