(In Jornal do Fundão, 20-03-2008)
Em alvoroço, a economia mundial dá sinais de forte instabilidade.
Todos os dias se anunciam recordes de preços das matérias-primas, condicionadas pela escassez, pela forte procura, pela especulação.
O trigo atingiu os 8,32 euros por alqueire nos mercados internacionais.
Os três maiores produtores mundiais tiveram produções aquém das expectativas.
O preço do pão sobe, sobe...
Preços do pão probitivos para muitos
O pão com travo amargo que a pobreza amassou.
Há quem leve o pão a fiado. Há quem admita que há fome encoberta. Vendedores dizem que a venda de pão caiu a pique.
Preços do pão probitivos para muitosO pão com travo amargo que a pobreza amassou.
Há quem leve o pão a fiado. Há quem admita que há fome encoberta. Vendedores dizem que a venda de pão caiu a pique.
Todos se queixam.
Há quem admita fechar as portas. E há quem compre cada vez menos.
A NECESSIDADE mascara-se como lhe aprazo.
Esconde-se no olhar fugidio à vitrina do pão, aninha-se na palma da mão que escrutina os últimos trocos, as moedas escurecidas que no derradeiro esforço chegarão, todas juntas, para levar um pão embrulhado para casa e aqui, a salvo, entre as quatro paredes esconder a vergonha; onde o que se come e, principalmente, o que não se come é esconjurado em vil segredo. Porque a vergonha consome, porque o assomo de necessidade corrói.
Porque ninguém deveria ter que passar por isto. Porque não. Nunca.
A tez da necessidade, esculpida a frio, para muitos, nos assomos de uma fome saciada a pão. À falta de melhor; à falta de quase tudo... o pão que a necessidade amassa é o antídoto para os dias vividos onde falta a carne, o peixe... Os dias povoados de incertezas, onde o dinheiro não dá, num hemisfério escondido onde apenas é permitido desejar. Onde se aparenta o que falta. É nestes dias contados ao sabor do pardo desencanto que as constantes subidas do preço do pão, primeiro e último alimento de muitos, dá sinais de alarme.
A tez da necessidade, esculpida a frio, para muitos, nos assomos de uma fome saciada a pão. À falta de melhor; à falta de quase tudo... o pão que a necessidade amassa é o antídoto para os dias vividos onde falta a carne, o peixe... Os dias povoados de incertezas, onde o dinheiro não dá, num hemisfério escondido onde apenas é permitido desejar. Onde se aparenta o que falta. É nestes dias contados ao sabor do pardo desencanto que as constantes subidas do preço do pão, primeiro e último alimento de muitos, dá sinais de alarme.
O pão é vendido a fiado, a quebra das vendas acentua-se, há quem o venda, mesmo sabendo que nunca irá receber o dinheiro.
O que fazer? Recusar o pão a alguém?
Há quem o não consiga. A realidade dos dias esconde aquilo que muitos não querem crer. Há quem não tenha dinheiro para comprar pão. Esta é a verdade que as constantes subidas de preço vem a tomar cada vez mais evidente. Os dias de necessidade vivem-se perto de nós.
“A partir da segunda semana do mês, as famílias deixam de comprar pão. Se formos honestos e dissermos a verdade, temos que afirmar que se nota isso”. Quem o diz é Ângela Canarias, proprietária do “Pátio e Sabores”, um estabelecimento localizado no centro do Fundão. Este ano já teve que aumentar o pão 20 por cento, a mesma subida, percentual que lhe foi imposta por quem lhe fornece o pão para venda. “É extremamente complicado gerir a situação, se formos humanos. Vê-se que há pessoas que passam fome, sem dúvida. Há fome encoberta, mas há”. E a retracção nota-se cada vez mais. A carcaça aqui custa 14 cêntimos, o misto a 25 cêntimos e o pão grande caseiro, um euro e 20 cêntimos.
Os pedidos de venda de pão a fiado são recorrentes e só não pedem mais porque Ângela Canarias impôs limites. “Muitas vezes não vemos o dinheiro. Infelizmente, temos que dizer que não”. Ao balcão vê “idosos que contam o dinheiro para o pão, vêem-se reformados, vêem-se mães de família, vêem-se jovens...” com dificuldades manifestas e mal disfarçadas. E recorda que já fiou pão e fiambre a alguém há cerca de três meses, mesmo sabendo que dificilmente iria ver a cor do dinheiro.
“A partir da segunda semana do mês, as famílias deixam de comprar pão. Se formos honestos e dissermos a verdade, temos que afirmar que se nota isso”. Quem o diz é Ângela Canarias, proprietária do “Pátio e Sabores”, um estabelecimento localizado no centro do Fundão. Este ano já teve que aumentar o pão 20 por cento, a mesma subida, percentual que lhe foi imposta por quem lhe fornece o pão para venda. “É extremamente complicado gerir a situação, se formos humanos. Vê-se que há pessoas que passam fome, sem dúvida. Há fome encoberta, mas há”. E a retracção nota-se cada vez mais. A carcaça aqui custa 14 cêntimos, o misto a 25 cêntimos e o pão grande caseiro, um euro e 20 cêntimos.
Os pedidos de venda de pão a fiado são recorrentes e só não pedem mais porque Ângela Canarias impôs limites. “Muitas vezes não vemos o dinheiro. Infelizmente, temos que dizer que não”. Ao balcão vê “idosos que contam o dinheiro para o pão, vêem-se reformados, vêem-se mães de família, vêem-se jovens...” com dificuldades manifestas e mal disfarçadas. E recorda que já fiou pão e fiambre a alguém há cerca de três meses, mesmo sabendo que dificilmente iria ver a cor do dinheiro.
Fuga ao preço do pão nos fornos de aldeia
É praticamente unânime entre os fabricantes e vendedores de pão que se registam quebras no consumo e que há cada vez mais dificuldades em conseguir acompanhar a escalada de preços do pão e de outros bens essenciais, o que leva as famílias de menores recursos económicos a retracções no consumo alimentar.
Uma das opções que no mundo rural continua a trilhar caminho é o uso de fornos comunitários ou de propriedade individual para cozer o pão processo de fabrico é todo realizado em casa, sendo que muitos optam por fazer dezenas de pães de uma vez, para, depois, o congelarem em arcas congeladoras e o consumirem ao longo dos meses.
É praticamente unânime entre os fabricantes e vendedores de pão que se registam quebras no consumo e que há cada vez mais dificuldades em conseguir acompanhar a escalada de preços do pão e de outros bens essenciais, o que leva as famílias de menores recursos económicos a retracções no consumo alimentar.
Uma das opções que no mundo rural continua a trilhar caminho é o uso de fornos comunitários ou de propriedade individual para cozer o pão processo de fabrico é todo realizado em casa, sendo que muitos optam por fazer dezenas de pães de uma vez, para, depois, o congelarem em arcas congeladoras e o consumirem ao longo dos meses.
Continua a ser comum nas aldeias da região a feitura do pão em fornos de lenha, uma actividade que está cada vez mais a alargar-se a faixas etárias menos idosas. Quando a necessidade aperta…
E as más notícias não devem ficar por aqui.
E as más notícias não devem ficar por aqui.
Para este ano prevêem-se novos aumentos para o pão.
“Espero, sinceramente, que não aumente, mas estou convicta que vai haver novo aumento...”, desabafa.
Poucos metros adiante, Jorge Machado, proprietário da pastelaria Paris. Ele fabrica o pão que vende. Também teve que aumentar este bem recentemente. E quer evitar tomar novas medidas de encarecimento do pão. Vai manter os preços assim enquanto for suportável para a empresa, também porque não quer sobrecarregar os clientes, adiantando que os propalados 50 por cento de aumento do preço do pão “é demasiado, não tem cabimento”. A quebra na venda deste bem essencial é por mais notória. “Até vêm pagar o pão com moedas de cêntimo. Isto está mesmo a chegar a uma fase em que as pessoas não têm dinheiro para comer”.
O empresário defende que o pão é um alimento essencial para a alimentação dos portugueses e não esconde o seu receio pelo futuro: “não sei onde é que isto vai chegar com estes aumentos. Notam-se muitas dificuldades”, até porque nem é pela diferença de um ou dois cêntimos por carcaça que leva mais pessoas ao sítio onde está mais barato. O problema é bem mais lato: “as pessoas é que já não têm dinheiro para comprar pão. Havia famílias que levavam 15/20 pães por dia. Agora, para levarem menos pão, usam a desculpa de que ainda sobrou de ontem”.
Poucos metros adiante, Jorge Machado, proprietário da pastelaria Paris. Ele fabrica o pão que vende. Também teve que aumentar este bem recentemente. E quer evitar tomar novas medidas de encarecimento do pão. Vai manter os preços assim enquanto for suportável para a empresa, também porque não quer sobrecarregar os clientes, adiantando que os propalados 50 por cento de aumento do preço do pão “é demasiado, não tem cabimento”. A quebra na venda deste bem essencial é por mais notória. “Até vêm pagar o pão com moedas de cêntimo. Isto está mesmo a chegar a uma fase em que as pessoas não têm dinheiro para comer”.
O empresário defende que o pão é um alimento essencial para a alimentação dos portugueses e não esconde o seu receio pelo futuro: “não sei onde é que isto vai chegar com estes aumentos. Notam-se muitas dificuldades”, até porque nem é pela diferença de um ou dois cêntimos por carcaça que leva mais pessoas ao sítio onde está mais barato. O problema é bem mais lato: “as pessoas é que já não têm dinheiro para comprar pão. Havia famílias que levavam 15/20 pães por dia. Agora, para levarem menos pão, usam a desculpa de que ainda sobrou de ontem”.
Industrial da panificação
“Não sei onde é que isto vai parar”
Os industriais da panificação registaram quebra nas encomendas
“DEIXOU de se vender”. Um desabafo de um industrial da panificação. O pão custa a desaparecer das prateleiras. É esta a verdade, segundo José Pereira, que passa grande parte das noites fundanenses a fazer pão. “Já aumentei o preço 20 por cento este ano. E houve colegas que aumentaram 30 e 35 por cento. E isto levou a uma quebra. As matérias-primas subiram e parece que a farinha ainda vai disparar outra vez. Não sei onde é que isto vai parar”.
“DEIXOU de se vender”. Um desabafo de um industrial da panificação. O pão custa a desaparecer das prateleiras. É esta a verdade, segundo José Pereira, que passa grande parte das noites fundanenses a fazer pão. “Já aumentei o preço 20 por cento este ano. E houve colegas que aumentaram 30 e 35 por cento. E isto levou a uma quebra. As matérias-primas subiram e parece que a farinha ainda vai disparar outra vez. Não sei onde é que isto vai parar”.
Não se sabe, de facto, onde é que “isto” vai parar, mas para já “a quebra é de mais de 50 por cento e se isto continuar assim, mais vale fechar”.
Falar em novos aumentos desagrada ao empresário, até porque como exemplo um cliente que lhe comprava “15/20 pães todos os dias. Agora está a tirar entre três e cinco pães. Isto não está nada bom. Está mesmo para se ir ao charco”.
José Pereira considera que quando se chega ao ponto de as pessoas não terem dinheiro para comprar pão estamos prestes a entrar num cenário “muito complicado”, até porque “falamos de um bem de primeira necessidade”.
Rui Martins, proprietário de uma frutaria no Fundão também adensa o cenário. “Neste momento estamos a vender cerca de 30 por cento do pão que vendíamos há dois, três meses atrás. As pessoas não compram... Quem comprava, por exemplo, 20 papo-secos, neste momento, compra seis ou dez. As pessoas reduziram muito a compra do pão”.
O acentuar do declínio começou a dar sinais bem visíveis no ano passado, mas “este ano é que notou mais a quebra da venda do pão”. O espectro de novos aumentos para breve está também presente e será bem possível, até porque está dependente dos aumentos que as panificadoras lhe fizerem.
Falar em novos aumentos desagrada ao empresário, até porque como exemplo um cliente que lhe comprava “15/20 pães todos os dias. Agora está a tirar entre três e cinco pães. Isto não está nada bom. Está mesmo para se ir ao charco”.
José Pereira considera que quando se chega ao ponto de as pessoas não terem dinheiro para comprar pão estamos prestes a entrar num cenário “muito complicado”, até porque “falamos de um bem de primeira necessidade”.
Rui Martins, proprietário de uma frutaria no Fundão também adensa o cenário. “Neste momento estamos a vender cerca de 30 por cento do pão que vendíamos há dois, três meses atrás. As pessoas não compram... Quem comprava, por exemplo, 20 papo-secos, neste momento, compra seis ou dez. As pessoas reduziram muito a compra do pão”.
O acentuar do declínio começou a dar sinais bem visíveis no ano passado, mas “este ano é que notou mais a quebra da venda do pão”. O espectro de novos aumentos para breve está também presente e será bem possível, até porque está dependente dos aumentos que as panificadoras lhe fizerem.
No fim da linha, será o cliente, novamente, a sofrer na carteira. E daí até aos pedidos de fiado, é uma curta distância. E aqui também. “Já muitos clientes me pediram fiado”, diz. “Há muita gente que leva durante o mês todo e só paga no final". E a sacramental pergunta, que pode ser também um desabafo: “quando as pessoas não têm dinheiro para comprar pão, como é que poderão ter para comprar outras coisas?”. O empresário não gosta de negar pão a ninguém, e faz fiado a quem conhece. “Nós vemos que as pessoas tem dificuldades... temos que lhes facilitar a vida...”
* * *
Inquérito
Reduziu o consumo de pão devido aos aumentos?
Maria Alice, Empregada Comércio
Não reduzi e, em princípio, não o deverei fazer, porque consumo pouco pão. De qualquer modo, entendo que o aumento do preço um verdadeiro exagero que não se justifica de maneira nenhuma.
António Neves, Reformado
Ainda continuo a comprar o mesmo pão que comprava. Não posso passar sem ele, gosto muito de pão. Mas o preço deste bem é muito exagerado.
José Barata, Aposentado
Não deixei de comprar pão, mas gasta-se menos. A minha esposa não deixou de comer pão e eu só como um papo-seco por dia. Antigamente gostava muito de pão mas hoje é cada vez mais caro.
Pedro Pereira, Técnico óptica
Confesso que não reduzi, nem penso fazê-lo, porque considero o pão o bem mais essencial da cadeia alimentar. Não se compreende e nada justifica um aumento tão exagerado do preço do pão.
Maria Alice, Empregada Comércio
Não reduzi e, em princípio, não o deverei fazer, porque consumo pouco pão. De qualquer modo, entendo que o aumento do preço um verdadeiro exagero que não se justifica de maneira nenhuma.
António Neves, Reformado
Ainda continuo a comprar o mesmo pão que comprava. Não posso passar sem ele, gosto muito de pão. Mas o preço deste bem é muito exagerado.
José Barata, Aposentado
Não deixei de comprar pão, mas gasta-se menos. A minha esposa não deixou de comer pão e eu só como um papo-seco por dia. Antigamente gostava muito de pão mas hoje é cada vez mais caro.
Pedro Pereira, Técnico óptica
Confesso que não reduzi, nem penso fazê-lo, porque considero o pão o bem mais essencial da cadeia alimentar. Não se compreende e nada justifica um aumento tão exagerado do preço do pão.
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Escalada de preços da alimentação
Preço do trigo chegou aos 8,32 euros por alqueire nos mercados
8,32 EUROS por alqueire (cerca de 13 litros) é o preço recorde que o trigo atingiu nos mercados internacionais na passada semana.
Segundo a última edição do semanário Expresso “bastou que as últimas colheitas nos três dos maiores exportadores de cereais do mundo - Austrália, Canadá e Ucrânia - fossem más para que houvesse escassez imediata nos mercados mundiais”.
Segundo o semanário “as causas do fenómeno da subida recorde dos preços dos alimentos são múltiplas e interdependentes: os preços altos da energia e dos fertilizantes, o aumento da procura de colheitas alimentates por parte das economias emergentes, a produção de biocombustíveis e as baixas reservas mundiais de cereais conjugam-se para prolongar os efeitos na estação 2008-2009”.
Segundo o semanário “as causas do fenómeno da subida recorde dos preços dos alimentos são múltiplas e interdependentes: os preços altos da energia e dos fertilizantes, o aumento da procura de colheitas alimentates por parte das economias emergentes, a produção de biocombustíveis e as baixas reservas mundiais de cereais conjugam-se para prolongar os efeitos na estação 2008-2009”.
Segundo o que Francisco Avilez, professor do Instituto Superior de Agronomia disse ao Expresso “ainda é cedo” para dizer que acabaram os alimentos e a energia a preços baratos, lembrando que já houve situações semelhantes noutros anos, achando que os preços vão estabilizar em alta, restando aguardar o tempo que levará a repor as reservas mundiais e como se portarão os agentes especuladores ao nível da bolsa das matérias-primas.
Recentemente, Carlos Santos, presidente da Associação de Comércio e da Indústria de Panificacão e Similares avisou que o pão poderia sofrer um aumento de 50 por cento, devido à escalada do preço das matérias-primas, facto que mereceu reacção do Governo.
Recentemente, Carlos Santos, presidente da Associação de Comércio e da Indústria de Panificacão e Similares avisou que o pão poderia sofrer um aumento de 50 por cento, devido à escalada do preço das matérias-primas, facto que mereceu reacção do Governo.
A Autoridade da Concorrência vai investigar este anunciado aumento, sendo que irá a analisar as declarações do presidente da associação do sector e averiguar se elas configuram alguma violação à Lei da Concorrência.
O regulador lembra que um representante de um mercado não pode dar indicações de preço aos restantes operadores.
in Jornal do Fundão, 20 de Março de 2008
4 comentários:
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