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Director: Mário Frota | Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira

Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Diminuição do tabagismo traria lucros ao Estado

O Estado português poderia poupar mais de 77 milhões de euros se o consumo de tabaco diminuísse 15 por cento em 22 anos. Com essa diminuição, segundo refere um estudo europeu a divulgar hoje, seriam evitadas 400 mortes até 2030.
Contas do projecto PESCE (Práticas Gerais e Económicas de Cessação Tabágica na Europa) indicam que um decréscimo no consumo de três por cento até 2030 permitiria ao serviço Nacional de Saúde poupar 7,5 milhões de euros, em custos directos com doenças muito prevalentes na população fumadora.
Segundo António Vaz Carneiro, director do Centro de Estudos de medicina Baseada na Evidência da Universidade de Medicina de Lisboa, a diminuição de 15 por cento levaria a menos 765 casos de cancro de pulmão, 226 casos de doença coronária, 872 de doença pulmonar obstrutiva crónica e 245 enfartes por ano.
Para o responsável do organismo português, apesar de “não se procurar lucro na Saúde, mas gastos racionais”, o estudo mostra que, “dado o impacto das doenças muito prevalentes associadas ao tabaco, a cessação é uma das intervenções que dá lucro. Mostra-se, pela evidência que o gasto é justificado, porque o lucro conseguido é muito superior aos gastos com medicamentos, tempo dos médicos e logística”, referiu. Sobre a participação dos clínicos gerais, Vaz Carneiro recordou que uma conversa de cinco minutos aumenta em 30 por cento o sucesso da cessação ao fim de um ano. Há estudos que revelam que a pouca adesão dos médicos de família se deve a falta de tempo, de conhecimentos específicos e de financiamentos.
Os especialistas europeus elaboraram 15 recomendações, que incluem treinos específicos e participação em estudos científicos, disponibilização de informação e criação de rotinas.

in “O Primeiro de Janeiro”, Terça feira - 6 de Maio 2008