[ Director: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano VII

Terça-feira, 29 de Julho de 2008

Portugueses procuram alternativas ao petróleo GPL poupa 57% na conta do combustível

Desde o início do ano que José Mateus, proprietário de dois centros de instalação de sistemas GPL (Gás de Petróleo Liquefeito), em Leiria e Figueira da Foz, nota um aumento no número de pessoas a pedir a adaptação dos seus veículos a este tipo de combustível. “Penso que devo ter mais 30 por cento de clientes em relação aos que tinha no ano passado”, diz. A procura tem sido tão grande que já há listas de espera.


A razão? O baixo preço do GPL. Na estação de abastecimento Auto-gás Portugal, em Leiria, o preço do litro é de 59 cêntimos (nas grandes gasolineiras o valor é dez cêntimos superior) e a média, nos restantes postos, é semelhante.

Os carros a GPL têm um consumo ligeiramente superior, mas a poupança é evidente. Comparando o consumo entre um veículo com 1.5cc de cilindrada a gasolina, e outro, com a mesma cilindrada a GPL, a economia ultrapassa os 57%, em termos do custo do combustível utilizado. E nem os carros a gasóleo (cilindrada de 1,5 cc), com consumos bastante inferiores, conseguem bater o GPL na relação quilómetro percorrido/preço (ver quadro). Curiosamente, usar um dos híbridos existentes no mercado, custa mais 35,2%, embora este consiga baixos valores de consumo.

É um facto que o constante aumento do preço dos combustíveis está a levar cada vez mais portugueses a adaptar os veículos a GPL Antes combustível maldito, devido a uma série de boatos desprovidos de veracidade sobre supostas e inusitadas explosões, o GPL revela ser um combustível amigo da carteira dos consumidores e do ambiente, com emissões de C02 próximas de zero.
“Encho o depósito com 27 euros e faço cerca de 530 quilómetros”, explica Jorge Bernardino Morgado que, há dois anos, alterou o seu Audi A3 1.6 para GPL. O sistema electrónico de gestão de combustível é totalmente automático, mudando de gás para gasolina à medida que é necessário, e custa 1600 euros. “Ao fim de um ano, já estava pago”, adianta Jorge Bernardino.
Apenas os automóveis a gasolina podem funcionar a GPL e, embora haja um ligeiro acréscimo do consumo e alguma diminuição na potência, já se vêem automóveis topo de gama com o autocolante identificativo de veículo a GPL. José Mateus tem, na oficina, um BMW 520 a sofrer a alteração necessária para se mover a gás. “Aparecem cada vez mais topos de gama, como o Porsche Cayenne, veículo em que o cliente poupa sete mil euros por ano em combustível e gasta cerca de 1800 no kit”, revela Pedro Paiva, outro instalador de GPL.
Em Portugal, apenas 40 mil veículos usam o autocolante GPL, mas em países como a Itália o número atinge os dois milhões. Cá estão proibidos de estacionar em subterrâneos, embora possam, desde 2006, circular neles e estacionar em garagens à superfície.
Algo que não acontece noutros países da Europa, onde podem estacionar nos pisos -1 dos estacionamentos subterrâneos, pois ali, ao contrário de Portugal, estas infra-estruturas são obrigadas a ter ventilação ao nível do solo.
Dedução Fiscal de 70%
A Renault e a Hyundai são duas marcas que comercializam veículos a GPL de origem. É certo que é preciso encomendar estes automóveis, mas o abatimento na carga fiscal, que atinge os 70%, compensa o mês de espera pelo carro novo.
“Temos quase todos os modelos novos em versão GPL”, afirma Carlos Santos, sócio-gerente da Lizauto, concessionário Renault para o distrito. O responsável explica que, como o consumo dos carros “normais” da marca é baixo, o construtor francês nunca viu como necessária a introdução de veículos novos a GPL, no mercado nacional.
Fazer 100 km por um euro
O FUTI F6 é um veículo citadino eléctrico construído em Maceira, Leiria, que conseguiu recentemente a homologação. O processo, explica António Febra, um dos sócios da FUTI, foi complicado e esbarrou em muita burocracia. Mas está concluído. A médio prazo, o modelo de dois lugares, cuja versão final está a ser ultimada, deverá entrarem produção e contribuir para a luta contra a dependência do petróleo.
“O FUTI atinge 80 quilómetros hora, com uma autonomia de 80 quilómetros, mas prevemos que o modelo comercializado poderá percorrer cerca de 300 quilómetros sem recarregar”, explica António Febra. O veículo final também deverá atingir a carga máxima das suas baterias depois de apenas 15 minutos ligado à corrente, ao contrário das cinco horas que agora demora. As baterias de gel são completamente recicláveis. O preço rondará os 9 500 euros.
Francisco Ferreira, dirigente nacional da Quercus, já se rendeu à locomoção eléctrica e comprou uma acelera eléctrica. Por dois mil euros, conseguiu uma autonomia de 100 quilómetros que lhe custam 50 cêntimos por cada 100 km percorridos. “Pesa cerca de três euros na factura da luz”, explica Francisco Ferreira.
O projecto F6 da FUTI aparece num momento em que o primeiro-ministro, José Sócrates, deu o seu apoio pessoal ao projecto de construção de um automóvel eléctrico da Renault/Nissan e exortou a Europa a diminuir a dependência do petróleo, convergindo para as energias renováveis e para os automóveis eléctricos, seguindo o exemplo pioneiro de Portugal,
Jornal de Leiria, 17 Julho 2008

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