Fundado em 30-11-1999; Edição III; Ano V

Director: Mário Frota; Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira







Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

CERTA AUTARQUIA vs. A DIGNIFICAÇÃO DA PERIFERIA DA CIDADE

Quer nas campanhas para as eleições autárquicas de 2001 e 2005, quer nos discursos estratégicos proferidos em cerimónias oficiais e inaugurações, como até nas recentes declarações sobre a revisão do PDM, os actuais responsáveis pelo Município de Coimbra falaram sempre das suas tão generosas quanto recorrentes intenções de promover a dignificação das zonas periféricas da cidade.
A fotografia anexa a este texto, tirada no dia 28 de Julho passado na Estrada de Eiras, sítio do Gorgolão, a 500 metros do fim da Avenida Fernão de Magalhães/Rua do Padrão, mostra bem a incoerência existente entre os discursos e as realidades. E esclareço que o lixo exibido na foto aguentou 15 dias, incólume, e só foi sendo afastado para o lado direito do passeio por acção do vento e da passagem das pessoas. Serviços camarários, nem vê-los! Ou melhor: estiveram, precisamente, nesta zona há cerca de um ano, a escavar o morro junto à vala que corre à direita das ervas visíveis na fotografia, pensando nós que tal trabalho seria para construir uma cobertura para essa vala.
Afinal, depois de terem posto uns canos à mostra, colocaram uma vedação de fita de plástico (para alguém que cair poder agarrar-se antes de bater com os ossos no fundo...) e tiveram o cuidado de não deixar afixado o costumeiro aviso de “Volto já”. É que não voltaram mais, nem para reparar os estragos que fizeram no passeio (?) com as máquinas de lagartas (ou coisa que o valha).
Talvez o Boletim da Junta de Freguesia, que espero receber em breve, venha informar os desprezados fregueses e esclarecer esse “mistério da estrada de Eiras”! Se falo em boletim é por saber que ele existe, pois já recebi dois, um em cada campanha eleitoral…
Aqui, o (des)apontamento nem é pelo lixo, pela vala ou pelas covas no “passeio” (poças de água impossíveis de evitar quando chove): é pelo conformismo dos munícipes que se deixam ir na conversa de “vendedores de ilusões” e que, depois de se vangloriarem pela sua escolha eleitoral, são enganados, não se mexem, não reclamam e estão predispostos a repetir o erro…

Coimbra, 18/19.Agosto.2008
Colaboração de:
Júlio Correia.

Por: Jorge Frota

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