Fundado em 30-11-1999; Edição III; Ano V

Director: Mário Frota; Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira







Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008

O maior produto turístico do Centro está destruído

"O nível de destruição (na ria de Aveiro) é inacreditável", diz Ribau Esteves.
A resposta é uma operação de requalificação é valorização de 96 milhões de euros


JoãoPeixinho

~ A Ria de Aveiro é apresentada como o elemento diferenciador da nova organização de municípios, a' Turismo Centro de Portugal, mas "a paisagem é horrível", diz Ribau Esteves, vogal da direcção, sobre o salgado e canais de comunicação no interior da laguna. Por isso, a urgência da realização de obras de requalificação através da recém-criada sociedade Polis para intervir entre 2009 e 2012.
O salgado de Aveiro encontra-se "completamente destruído" e um circuito turístico pela Ria "não é um passeio agradável", segundo o vogal da direcção presidida por Pedro Machado. Respondia a João Barbosa, presidente da Junta de Freguesia da Vera Cruz, que sugeriu um projecto de passeios pelas marinhas, apoiado pelo QREN.
"Há tanta coisa para fazer", diz o vogal que preside à Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA) e à Câmara de Ílhavo, e se há um plano de obras mm um orçamento de 96 milhões, Ribau Esteves disse que para "pôr tudo em ordem de uma vez" seria necessário "10 vezes mais" que aquele valor. É que, segundo diz, "o nível de destruição é inacreditável". Mas o estado a que chegou a Ria, com pontos em que se consegue chegar "só de avião", tem responsáveis, apontando para o Governo pelo "abandono" a que deixou a laguna. Ribau Esteves intervinha numa sessão promovida pelo PSD de Aveiro sobre "O impacto da reorganização do sector turístico nas autarquias".

PEDRO MACHADO, presidente do Turismo Centro de Portugal, pela primeira vez numa sessão pública

Na primeira vez que Pedro Machado participou numa acção pública, como líder da nova Entidade Regional Turismo Centro de Portugal, disse que a nova entidade, "o sinal do Governo" em i sediar a entidade em Aveiro, fazem parte de um "desafio de liderança" para mudar o cenário do sector no Centro do pais. É preciso "aparecerem investidores, que terão de sentir confiança e acabar com os tecnocratas do sistema que afastam o investimento", diz Pedro Machado. Foram dados exemplos de projectos que caíram por razões consideradas menores, Como um em Ovar reprovado por se situar num lugar que no ano de 2147 estará ocupado pelo mar.

"Novas realidades"
Para desenvolver o turismo é preciso, além do investimento e de conseguir a aprovação de projectos, "olhar para novas realidades" porque o actual cenário não é bom. Na divisão administrativa, os Governos Civis são "cada vez mais uma inexistência política" e os deputados, "um subproduto da política que ninguém sabe quem são nem liga coisíssima nenhuma".
No processo de concertação entre as autarquias que resultou na união de municípios na entidade regional, Ribau Esteves recordou que a Câmara de Aveiro, sob a presidência do socialista Alberto Souto, foi "um problema grande, na postura, muito destrutivo para conseguir um movimento associativo forte”.
A hora é de mudar o que tem caracterizado o passado com "zero projectos" conseguidos, de grande dimensão relevante, pelo facto de Aveiro não "dispor de técnicos no sítios chave ou nunca ter presidido à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.
E o futuro sem ainda de "profunda alteração" nos mercados emissores de turistas, dentro de 15 anos. Dar-se-á uma "inversão completa" prevendo-se que a China entre para o topo dos emissores, segundo Pedro Machado.

Empresários mudarão Câmara de Coimbra
O presidente da Entidade Regional Turismo Centro de Portugal, Pedro Machado, disse ao Diário de Aveiro que "com o tempo" a Câmara de Coimbra irá voltar atrás na decisão de recusar integrar a nova organização de municípios A partir de certa altura, virão ao de cima os "argumentos racionais, a autarquia sentirá a "pressão" dos empresários e a autarquia de Coimbra mudará de posição.
O presidente da Câmara de Coimbra, Carlos Encarnação, anunciou a recusa de integrar por discordar da instalação da sede: em Aveiro, sendo que, segundo Pedro Machado, Figueira da Foz e Cantanhede fizeram mesmo "por solidariedade". Pedro Machado disse ao Diário de Aveiro que já conversou sobre o assunto com Carlos Encarnação chamando à atenção para a penalização pela ausência, o "impedimento a acessos nacionais e a perda de receita real" e a inevitabilidade da autarquia ter de "assumir as despesas da promoção".

Publicado por: Jorge Frota

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