[ Diretor: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano XII

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Estudo comprova que a insónia é a principal razão de incapacidade laboral

in “Sapo Saúde” - 2009-02-27

Investigação norueguesa a 6.500 trabalhadores concluiu que a insónia é a principal causa de baixas prolongadas e incapacidade laboral.
Estudos revelam: A insónia é a mais comum desordem do sono e caracteriza-se pela dificuldade em adormecer ou dificuldade em manter o sono comprometendo o desempenho no dia seguinte. Estima-se que 30 a 45 por cento da população mundial sofra de insónia. O Instituto de Saúde de Hordaland, na Noruega, realizou o primeiro estudo que aponta a insónia como principal causa de baixas prolongadas e incapacidade laboral. Apesar de uma prevalência significativa, a insónia continua sem diagnóstico e tratamento adequados.
A insónia não tratada é uma doença grave com forte impacto na disponibilidade laboral. Esta é uma das conclusões do estudo realizado em mais de 6.500 trabalhadores, na faixa etária dos 40-45 anos, ao longo de quatro anos.
Durante esse período foram recolhidos e avaliados sintomas de insónia, factores sócio-demográficos, índice de massa corporal, sintomas da apneia do sono, ansiedade, depressão, bem como, uma série de diagnósticos somáticos e dor.
Entre os resultados obtidos, surge como conclusão principal o facto das pessoas que sofrem de insónia terem uma maior probabilidade de ter de recorrer a pensões de invalidez, em comparação com os indivíduos que não sofrem de insónia, mesmo após o ajuste das causas, como as medidas higieno-dietéticas, a ansiedade, a depressão e a dor.
Outra conclusão fundamental aponta a insónia como um significativo motivador das baixas prolongadas, mesmo após o ajuste de alguns factores.
«Atendendo aos custos directamente relacionados com as baixas laborais, em associação com os custos indirectos da fraca produtividade, despesa com medicamentos para dormir e acidentes rodoviários causados por falta de sono, acreditamos que a detecção precoce, a prevenção e a intervenção especializada no tratamento da insónia crónica deveriam merecer especial atenção», afirmam os autores do estudo.
Muitos artigos resumem a insónia ao facto de se dormirem poucas horas. Tal associação, além de subestimar o verdadeiro impacto da insónia, revela-se incorrecta na medida em que a necessidade de sono varia de pessoa para pessoa.
Mais do que a quantidade, interessa a qualidade. «Dormir pouco não é necessariamente prejudicial em termos de incapacidade laboral desde que o sono seja reparador e não se faça acompanhar dos sintomas característicos da insónia», acrescentam. Assim, um indivíduo que durma 4 a 5 horas por noite pode não sofrer de insónia e observar um funcionamento perfeitamente normal durante o dia.
No grupo de pessoas que realmente sofrem de insónia, existe uma elevada percentagem que não procura tratamento. Estes indivíduos são motivados pelo mito de que os tratamentos para a insónia provocam sedação, dependência e ressaca matinal, no entanto já existem medicamentos, como a melatonina, que não provocam nenhum destes efeitos.
Numa população activa profissionalmente (40-45 anos), a insónia assume-se como o principal factor de risco de baixas prolongadas e incapacidade. Esta questão revela a necessidade de assumir a importância da insónia e suas consequências, bem como a importância de um tratamento adequado.

Publicado por: Jorge Frota

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