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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Saúde: Crianças são 38 por cento dos 1 500 queimados anuais

in "Publico" - 29.5.2009

Cerca de 38 por cento dos 1 500 queimados que anualmente chegam aos serviços de saúde são crianças, disse à Lusa o médico Celso Cruzeiro, que defende a criação de uma unidade de queimados infantil em Portugal.
"As crianças são o grande grupo de risco", alegou o também presidente da Associação Amigos dos Queimados, sublinhando que "é uma pecha portuguesa não ter uma unidade de tratamento de queimados infantil".
"As crianças não são de maneira nenhuma adultos pequenos, exigem recursos especiais”, acrescentou o cirurgião plástico.
Defendeu ainda que nos hospitais onde já são tratadas algumas crianças queimadas, nomeadamente no Hospital de S. João, no Pediátrico de Coimbra ou no D. Estefânia, há "'know-how' para tratar queimaduras". No entanto, "falta o espaço físico".
"Elas [as crianças] são tratadas com o maior esforço possível. O que pretendemos fundamentalmente é a estrutura física para as tratar melhor", referiu.
Celso Cruzeiro, que falava à margem do VI Congresso Nacional de Queimados, que decorre em Viseu até sábado, defendeu por outro lado que "nem todos os doentes devem ser transferidos para as unidades de queimados, podem ser tratados em ambulatório. Os queimados têm uma gravidade e há protocolos de actuação".
"Um dos âmbitos deste congresso é precisamente sensibilizar e preparar 'guide-lines' para as pessoas que tratam em ambulatório e abordam pela primeira vez as vítimas das queimaduras, seja em hospitais regionais ou centros de saúde", sustentou.
O presidente da Associação Amigos dos Queimados congratulou-se ainda com "a novidade trazida pelo representante da senhora ministra da saúde, que diz que está sensibilizado" para os problemas dos queimados.
Na sessão de abertura do VI Congresso Nacional de Queimados, o director do Departamento da Qualidade na Saúde, Alexandre Dinis, anunciou que está agendada uma reunião de trabalho, no dia 18 de Junho, "com o objectivo imediato de elaborar normas para se racionalizar o apoio e tratamento a estes doentes", que exigem "grande diferenciação".
Informou ainda que, em 2007, "55 por cento dos doentes queimados foram internados em seis hospitais e os restantes 45 por cento em outros 54 hospitais".

Publicado por: Jorge Frota

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