Fundado em 30-11-1999; Edição III; Ano V

Director: Mário Frota; Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira







Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

DIREITOS DO CONSUMIDOR - Consulta pública para definir padronização das roupas infanto-juvenis e de bebés

Colaboração de: Catherine Jereissati

Proposta, que levará em conta medidas a partir da estatura das crianças, permanece em votação por 90 dias e deve ser homologada até o fim de Outubro; normas para o vestuário masculino e feminino serão analisadas em Setembro e Novembro, respectivamente

Não é de hoje que os consumidores enfrentam dificuldades na hora de escolher uma roupa com base apenas no critério de numeração. O mesmo tamanho, em marcas diferentes, pode apresentar grandes variações de caimento, conforto e, até mesmo, ficar muito maior ou menor, a ponto de não servir.
Para tentar minimizar esse problema, o Comité Brasileiro de Têxteis e Vestuário da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) está definindo novas normas de medidas. A iniciativa conta também com a participação da Abravest (Associação Brasileira do Vestuário).
O processo começou com a padronização das meias e, desde o dia 1º de Julho, foi colocado em consulta pública o projecto de norma infantil. A proposta permanece em votação por 90 dias e a previsão é que o prazo para avaliação dos votos e homologação seja concluído até o fim de Outubro. Em Setembro será analisado o vestuário masculino e, em Novembro, o feminino.
A ABNT disponibilizou o projecto de norma de vestibilidade Infanto-Juvenil e Bebe para consulta pública em seu site.
De acordo com a gestora do Comité, Maria Adelina Pereira, os projectos foram feitos separadamente – como ocorrem com as certificações ISO – para evitar que uma etapa mais complexa, como a norma das peças femininas, trave todo o processo.
Adequações
Embora não haja punição para quem não adoptar a padronização, a gestora acredita que a maioria das confecções deve aderir. "A norma é voluntária e o próprio Inmetro já declarou que só fiscalizará a indicação do tamanho. Se esse tamanho veste ou não o consumidor é um acordo entre partes. Mas é lógico que as empresas que desejem vender mais se adequarão à norma, pois mais e mais empresas estarão usando. A forma mais eficaz para impulsionar o uso é os consumidores e os lojistas exigirem o atendimento da norma para facilitar a compra, inclusive pela Internet."
Para Adelina, além da facilidade do e-commerce, a padronização traz uma série de outros pontos positivos ao consumidor, especialmente para peças básicas que a pessoa não precisará testar o caimento no provador. "Consequentemente, teríamos a redução da necessidade de experimentar roupas na loja, o que causa muitas vezes constrangimentos. Outra vantagem é a redução de troca de peças etc."
O presidente da Abravest, Roberto Chadad, também aponta os benefícios para fabricantes, lojistas e consumidores. "Com a norma, haverá optimização da fabricação, pois o desperdício de materiais será menor. O tempo gasto pelos lojistas no momento da venda também diminuirá, uma vez que, cientes das medidas do cliente, eles saberão que peças oferecer. Além disso, a quantidade de trocas será menor, as vendas pela internet e exportações estimuladas."
Como pontos negativos a gestora do Comité citou algumas confecções que numeram seus produtos com o objectivo de agradar ao consumidor e não de esclarecer o real tamanho da peça. "Essas podem perder essa ferramenta de marketing, porque há confecções que indicam que um tamanho EG é M só para satisfazer à consumidora."
O mesmo acontece com as roupas infantis. Muitos pais ficam felizes de comprar uma peça 14 para o filho de oito anos para ter a sensação que a criança é maior.
Além de terem suas marcas publicadas no site da Abravest, as empresas que adoptarem a padronização de medidas carregarão um selo de identificação. "Se lojistas e consumidores tiverem o conhecimento de quais marcas estão dentro da normatização, com certeza estes as privilegiarão. E, como o consumidor é a mola propulsora dos negócios, conseguiremos atingir a cadeia como um todo", acredita Alexandre Melo, gerente de Produto da Abravest.
Vestibilidade
Uma das principais preocupações da nova padronização foi levar em conta a vestibilidade das peças, que corresponde às medidas do corpo e não das roupas. As medidas de roupa levam em conta características de elasticidade e alongamento do tecido, alterações de resistência mecânica da fibra, estilo, tendência, público, proporções antropométricas etc. Já as medidas de corpo que indicam a vestibilidade variam de tipo de peça para tipo de peça, estão directamente ligadas aos pontos do corpo que determinarão o caimento daquela roupa.
Para um vestido, os pontos mais críticos que definem o caimento são o busto e o quadril do corpo; e cintura, se for um modelo acinturado. No caso de uma calça as medidas do corpo que orientam o consumidor são cintura e quadril, opcionalmente pode ser indicada a estatura do corpo que vestirá. Para roupas infantis, a referência na maioria das peças é a estatura, pois esta medida revela mais sobre o desenvolvimento do corpo da criança do que a idade, já que envolve também a genética e a etnia da pessoa.
Além da indicação das medidas de corpo que serviram de base, indica-se também um tamanho nominal. Hoje no Brasil é usada apenas essa indicação e o problema para o consumidor é enorme porque para cada marca ele tem uma referência nominal diferente para vestir o mesmo corpo.
As tabelas de medidas infantis que estão sendo formatadas consideram a estatura como medida padrão. "Fica a critério de a empresa adoptar uma segunda ou terceira medida, como o perímetro do tórax ou da cintura", explicou Maria Adelina.
Ao todo, foram estabelecidas 24 medidas corporais para as indústrias, através de consultas com confeccionistas, modelistas, anatomistas, associações de pediatras e até profissionais que actuam no comércio. Já para lojistas e consumidores, três medidas serão divulgadas: altura, cintura e tórax
Biótipos distintos
A diferença entre o biótipo de crianças da região sul e crianças do nordeste era uma das preocupações levantada durante a 33ª FIT 0/16 (Feira Internacional do Sector Infanto-Juvenil e Bebé), que reuniu 350 representantes da indústria, varejo e imprensa no Fórum Vestibilidade para debater as mudanças no vestuário infantil, de 16 a 18 de Junho.
Para as indústrias do vestuário, a diferenciação poderia dificultar a formatação da norma porque as crianças sulistas tendem a ser maiores do que as nordestinas da mesma idade. No entanto, como a norma será baseada na medida corporal e não na idade, isso não será um empecilho, segundo a Abravest.
Outra dúvida foi sobre a utilização imediata das etiquetas com a indicação dos tamanhos. A ABNT informou que, como a normatização é facultativa e os fabricantes já indicam os tamanhos como eles julgam melhor, fica a critério das marcas o momento ideal para fazer a alteração nas etiquetas.

Publicado por: Jorge Frota

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