Fundado em 30-11-1999; Edição III; Ano V

Director: Mário Frota; Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira







Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Preço do pão não desce apesar da queda do trigo

O preço do pão não vai baixar, apesar de o custo dos cereais ter caído quase 50% desde 2007. Os industriais de panificação alegam que, pelo contrário, os custos da energia e da mão-de-obra estão muito elevados e invocam a "grave crise" que atravessam. A Concorrência não tem competência para intervir, mas garante que está atenta "em permanência".
O pão não vai baixar de preço, apesar de o trigo, "em queda livre", estar a metade do valor de 2007. Os agricultores queixam-se de que o preço do cereal passou de 30 para 14 cêntimos por quilograma nos últimos dois anos, com muitas explorações a venderem já abaixo do custo; os industriais de panificação, no entanto, alegam que os custos fixos das empresas, como os salários e a energia, se têm mantido "bastante elevados", pelo que poucos serão os empresários que terão "condições para descer o preço do pão", sob pena de "comprometer" o futuro de uma indústria, que "atravessa o pior momentos dos últimos 30 anos".
António Fontes, presidente da Associação dos Industriais de Panificação do Norte, defende que, na verdade, "o preço dos cereais não caiu, o que se assistiu foi a uma correcção em relação ao pico de crescimento que houvera em 2008". Por outro lado, garante, a energia e a mão-de-obra, "só por si, representam mais de 50% do custo do pão".
O presidente da Associação do Comércio e Indústria de Panificação concorda. "Como as empresas tiveram quebras de 30% na facturação, em resultado de uma redução do consumo e da concorrência desleal das grandes superfícies, não têm condições para reflectir no pão a descida do preço dos cereais". Carlos Alberto Santos garante que "em muitos hipers "o pão, importado do Leste, é vendido abaixo do preço de custo, como promoção para atrair consumidores".
No ano passado, o preço de uma carcaça (40 gramas) subiu de 10 para 15 cêntimos, um aumento de 50% explicado pela escalada das matérias-primas. "Mas esse aumento não chegou para cobrir o crescimento dos custos de produção", onde se incluem farinhas, salários e energia, garante Carlos Alberto Santos.
Contactada pelo DN, fonte da Autoridade da Concorrência (AdC) assegurou que "não tem competência para intervir na fixação dos preços", mas garantiu, no entanto, que o sector é acompanhado "em permanência" dado o seu "grande impacto social".
"Foram anúncios de aumentos de preços na imprensa que levaram a AdC a investigar situações anteriores neste mesmo sector", refere a mesma fonte, recordando que a 8 de Julho foram multadas 11 empresas de moagem de farinha em cerca de 9 milhões de euros por "concertação de preços, em prejuízo dos consumidores".
A Associação Nacional de Produtores de Cereais (ANPOC) atribui a queda do preço dos cereais à "conjuntura mundial e à especulação, "salientando ainda que a diminuição da produção e o aumento das importações são "uma tendência que se vem acentuando nos últimos anos".
Dados da associação indicam que o consumo de cereais ronda os quatro milhões de toneladas por ano, tendo sido produzidas em Portugal, em 2008, 1,1 milhões de toneladas. Este ano a produção deverá ser metade. Os agricultores alegam não ser rentável produzir trigo que não conseguem vender a mais de 14 cêntimos por quilo e lamentam a "inexistência de apoios à produção nacional" que, depois, não consegue "ganhar competitividade "face aos EUA e à Austrália.

Publicado por: Jorge Frota

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