Fundado em 30-11-1999; Edição III; Ano V

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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

por: André Jegundo
in "Público" 20 Janeiro 2010

CARLA CARVALHO TOMAS

Municípios querem garantias de que o ramal Pampilhosa-Figueira da Foz vai reabrir.


Autarcas já pediram uma reunião com o novo secretário de Estado das Obras Públicas e querem conhecer calendário previsto para a intervenção.


A Refer suspendeu a circulação por uma questão de “segurança”
Os autarcas dos municípios da Região Centro, que foram afectados pelo encerramento da linha ferroviária Pampilhosa-Figueira da Foz, afirmam estar muito “preocupados” com o atraso nas obras de modernização do ramal e já solicitaram uma reunião ao secretário de Estado dos Transportes com o objectivo de conhecer o calendário previsto pelo Governo para a intervenção.
Um ano depois do encerramento do ramal – que aconteceu por “razões de segurança” – a Refer ainda não tem qualquer data prevista para o início das obras. Alguns municípios dizem ter indicações por parte da empresa pública de que o ramal poderá reabrir em 2011 e que a intervenção de requalifi cação vai aproveitar a desmontagem do carril do ramal da Lousã (por causa das obras do Metro Mondego). Este ano, contudo, a Refer prevê gastar apenas 1,9 milhões de euros no ramal da Pampilhosa, um valor insuficiente para avançar com as obras de modernização.
Até agora, os utentes do ramal – que são sobretudo estudantes e idosos – têm utilizado o serviço rodoviário alternativo. Mas desde que a circulação de comboios foi suspensa receiam que a linha seja encerrada definitivamente. Os autarcas da zona nem querem ouvir falar desta possibilidade.
“Esta linha tem uma importância estratégica para a região e por isso já pedimos uma reunião com os responsáveis governamentais. Queremos conhecer o calendário previsto para as obras”, diz o presidente da Associação de Municípios do Baixo Mondego, Jorge Bento (Condeixa-a- Nova), acrescentando que os concelhos da Mealhada, Figueira da Foz, Montemor-o-Velho, Cantanhede e Coimbra são os mais afectados pelo encerramento da linha.
Há um ano, o presidente da Câmara de Cantanhede, João Moura, apoiou a decisão da Refer de suspender a circulação, por entender que a modernização do ramal era “urgente”. Hoje, diz que “não compreende” o atraso nas obras. “Parece que nada foi feito, o que vai implicar o funcionamento do sistema alternativo muito para além do período que estava previsto. Esperamos, sobretudo, que não esteja a ser posta em causa a continuidade do funcionamento do ramal”, declara, numa resposta enviada ao PÚBLICO por e-mail, relembrando que o município já investiu cerca de 150 mil euros na construção de uma passagem sobre a ferrovia.
Para os autarcas da Região Centro, o caderno de encargos que a Refer deve assumir é claro: “A linha tem que ser modernizada e devem ser readaptados os horários para servir melhor as populações. A linha deve estar preparada para o transporte de mercadorias e deve ser feita uma
ligação à zona logística do porto da Figueira da Foz”, enumera o presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, Luís Leal.
Para concretizar o projecto da Zona de Actividades Logísticas (ZAL), o município da Figueira da Foz já solicitou formalmente à Refer que a intervenção de modernização do ramal inclua também a construção de “um acesso directo à ZAL”, junto do porto marítimo. No entanto, de acordo com a Câmara da Figueira da Foz, até ao momento ainda não houve qualquer resposta ao requerimento.


Orçamentos determinam calendário - Trabalhos a sério só em 2012


A Refer só prevê gastar 1,9 milhões este ano nos 50 quilómetros de via férrea entre a Figueira da Foz e a Pampilhosa. É um valor muito aquém dos 37 milhões necessários para dotar a linha de sinalização electrónica e nova superestrutura de via e eliminar as passagens de nível, o que implica levantar carris e travessas e colocar uma linha nova.
De acordo com o orçamento da empresa, tudo indica que a linha continuará fechada em 2011, pois só lhe serão afectos 2,2 milhões de euros.
Trabalhos a sério só poderão ter início em 2012, ano em que a Refer lhe destina 33,1 milhões.
Assim, a linha só poderá ser reaberta no fim de 2012 ou início de 2013. É tempo suficiente para que, em tempo de crise, o Governo conclua que não vale a pena gastar tanto numa infraestrutura que fechou em Janeiro de 2009 e assim se manteve sem grande drama para o país.
A Refer nunca adiantou quando começarão as obras de reposição da nova linha. Historicamente, em Portugal, sempre que se levantam carris de uma linha fechada, esta acaba por ser transformada em ecopista.
Em Outubro último, a então secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, garantiu que a linha seria reaberta e que deveria assegurar o transporte de passageiros, no serviço suburbano da região de Coimbra, e de mercadorias, ligando a Linha da Beira Alta ao porto da Figueira da Foz.
Enquanto responsável pela linha, a Refer tem vindo a pagar 13.500 euros por mês à CP, para esta assegurar um serviço alternativo rodoviário entre a Pampilhosa, Cantanhede e Figueira da Foz, bem como em todos os apeadeiros onde parava o comboio.
CARLOS CIPRIANO

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