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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Habitação: Ciclo de juros baixos no crédito chega ao fim

por: PAULA CORDEIRO
in "DN" - 31 Maio 2010

Média da taxa Euribor a três meses subiu 6,5% num mês. Contratos de Junho ficam mais caros

Os juros do crédito à habitação já começaram a subir. Quem contrair um novo empréstimo em Junho e optar pela Euribor a três meses, vai negociar a sua prestação com juros 6,5% mais elevados que há um mês. Se a escolha for a Euribor a seis meses, a subida é de 2,8%.
São aumentos reduzidos - de acordo com a simulação feita pelo DN, a prestação mensal sobe três euros no caso da Euribor a três meses e dois euros se for a de seis meses -, mas que indiciam o fim provável do ciclo taxas de juro baixas.
Assim, o valor médio da Euribor a três meses de Maio foi de 0,686% (calculada quando falta ainda apurar o valor de hoje) e será esta média que será aplicada aos novos contratos de empréstimo durante o mês de Junho. Já a média do mesmo indexante para o prazo de seis meses fixou-se muito perto de 1% - 0,982%.Quem já tem um crédito à habitação e for rever a sua prestação em Junho não registará qualquer subida, mas verificará que a redução já não será tão acentuada.
Apesar de se assistir a uma mudança de ciclo no que respeita às taxas de juro, os valores referentes ao mês de Maio estão ainda muito abaixo do que os portugueses pagavam há um ano, mesmo tendo em conta que nessa altura os juros já estavam em descida acelerada. Assim, a actual média da Euribor a três meses está 46,6% abaixo do mesmo valor em Maio de 2009. O mesmo indexante para o prazo de seis meses está agora 33,6% mais baixo que há um ano.
A subida das médias das taxas Euribor em Maio são um sinal da actual situação de aperto de liquidez nos mercados interbancários.
Os bancos portugueses estão com dificuldades em se financiarem junto de outras instituições bancárias, devido à degradação do rating da República e consequentemente das suas notações de crédito, que fizerem disparar os juros cobrados às entidades portuguesas. A solução, nas últimas semanas, tem sido o recurso às cedências de liquidez do Banco Central Europeu (BCE).
Portanto, se o dinheiro está mais caro para a banca, fica necessariamente mais caro para todos os agentes económicos que recorrem ao crédito bancário.
Face a esta conjuntura, os bancos concedem menos crédito e tornam-se mais rigorosos e selectivos no que respeita à escolha dos clientes que procuram empréstimos, até porque a subida do desemprego está a fazer aumentar o risco de muitos consumidores.
No entanto, quase todos os grandes banqueiros portugueses já vieram a público afirmar que o crédito à habitação continuará a ser uma prioridade.
Os portugueses que vão pedir um novo crédito para comprar casa estão a enfrentar, contudo, spreads bem mais elevados que há dois anos, com estas margens financeiras aplicadas sobre a média da Euribor a chegar a intervalos máximos acima dos quatro pontos percentuais. No mínimo e com condições muito especiais, os novos pedidos de crédito poderão contar com um ponto percentual de spread.
São um dos reflexos da crise financeira, no bolso de quem recorre ao crédito à habitação.

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