
por: Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas
in "Público" - 8 Junho 2010
Europa em crise - PEC do Governo é “corajoso”, mas pode não chegar
Medidas de austeridade da Espanha e de Portugal são “substanciais”, mas países da zona euro pedem reformas nas pensões e no mercado laboral
Portugal e Espanha vão ter de complementar as medidas de austeridade recentemente anunciadas com novas reformas estruturais, “nomeadamente do mercado de trabalho e do sistema de pensões”, para acelerar a consolidação orçamental.
Esta decisão foi ontem tomada pelos 16 países da zona euro no quadro de uma análise preliminar dos programas de austeridade impostos há um mês a Lisboa e Madrid no quadro dos esforços destinados a sossegar o nervosismo dos mercados financeiros sobre a sustentabilidade da zona euro, sobretudo dos seus membros mais vulneráveis.
Nessa altura, o Governo anunciou que o défice será reduzido de 9,4 por cento do PIB em 2009 para 7,3 por cento este ano (em vez dos 8,3 por cento previstos) e de novo para 4,6 por cento em 2011 (contra um objectivo inicial de 6,6 por cento).
Olli Rehn, comissário europeu responsável pela economia e finanças, frisou que “as metas para [o défice de] 2010 e 2011 são apropriadas e felicito os compromissos assumidos pelos governos dos dois países no sentido de fazerem tudo o que for necessário para que as medidas sejam suficientes para atingir” os objectivos fixados.
Lisboa e Madrid “já anunciaram ou vão anunciar reformas estruturais substanciais. É preciso fazer mais, e só posso encorajar os dois países a prosseguir as reformas estruturais, por exemplo dos mercados de trabalho e dos sistemas de pensões, com toda a determinação que é necessária nesta situação muito sensível”, sublinhou.
As medidas portuguesas e espanholas “são significativas e corajosas, e contribuirão sem qualquer dúvida para estabilizar os níveis da dívida”, afi rmou por seu lado Jean-Claude Juncker, ministro das Finanças do Luxemburgo e presidente do eurogrupo, no final de uma reunião dos Dezasseis. Isto, embora deixando claro que os planos de austeridade terão de ser reforçados a partir de 2011. “É claro que uma consolidação adicional será necessária depois de 2011, em conjunto com progressos adicionais em termos de reformas estruturais”, frisou, acrescentando: “Ouvimos um compromisso forte dos dois países em causa para agir nesse sentido. Ambos estão também a trabalhar sobre medidas adicionais, se necessário, para atingir as metas para 2011.”
Esta decisão foi ontem tomada pelos 16 países da zona euro no quadro de uma análise preliminar dos programas de austeridade impostos há um mês a Lisboa e Madrid no quadro dos esforços destinados a sossegar o nervosismo dos mercados financeiros sobre a sustentabilidade da zona euro, sobretudo dos seus membros mais vulneráveis.
Nessa altura, o Governo anunciou que o défice será reduzido de 9,4 por cento do PIB em 2009 para 7,3 por cento este ano (em vez dos 8,3 por cento previstos) e de novo para 4,6 por cento em 2011 (contra um objectivo inicial de 6,6 por cento).
Olli Rehn, comissário europeu responsável pela economia e finanças, frisou que “as metas para [o défice de] 2010 e 2011 são apropriadas e felicito os compromissos assumidos pelos governos dos dois países no sentido de fazerem tudo o que for necessário para que as medidas sejam suficientes para atingir” os objectivos fixados.
Lisboa e Madrid “já anunciaram ou vão anunciar reformas estruturais substanciais. É preciso fazer mais, e só posso encorajar os dois países a prosseguir as reformas estruturais, por exemplo dos mercados de trabalho e dos sistemas de pensões, com toda a determinação que é necessária nesta situação muito sensível”, sublinhou.
As medidas portuguesas e espanholas “são significativas e corajosas, e contribuirão sem qualquer dúvida para estabilizar os níveis da dívida”, afi rmou por seu lado Jean-Claude Juncker, ministro das Finanças do Luxemburgo e presidente do eurogrupo, no final de uma reunião dos Dezasseis. Isto, embora deixando claro que os planos de austeridade terão de ser reforçados a partir de 2011. “É claro que uma consolidação adicional será necessária depois de 2011, em conjunto com progressos adicionais em termos de reformas estruturais”, frisou, acrescentando: “Ouvimos um compromisso forte dos dois países em causa para agir nesse sentido. Ambos estão também a trabalhar sobre medidas adicionais, se necessário, para atingir as metas para 2011.”
O medo da recessão
Embora os países da zona euro tenham ontem insistido em que o esforço de intensificação da consolidação terá de ser generalizado, deixaram simultaneamente claro que os países com uma situação orçamental menos restritiva deverão esperar por 2011 antes de apertar o cinto, de modo a evitar matar a retoma da economia no ovo. A Alemanha, país crucial para a actividade em toda a União Europeia, anunciou aliás ontem um programa de austeridade de 80 mil milhões de euros até 2014 de modo a permitir uma redução do défice para menos de 3 por cento do PIB.
O discurso em favor da intensificação da consolidação foi ontem igualmente martelado pelo FMI, que atribuiu a actual crise da zona euro “às políticas orçamentais insustentáveis nalguns países”, em conjunto com “progressos insuficientes no estabelecimento da disciplina” orçamental e “governação deficiente da zona euro”.
Esta mensagem foi dirigida por Dominique Strauss-Kahn, director do FMI, que ontem participou na reunião dos Dezasseis, nomeadamente para ultimar os detalhes da nova facilidade de estabilização financeira do euro.
Para o FMI “uma das soluções para o problema da governação da zona euro passaria, “idealmente”, pela centralização ao nível europeu da fixação de “metas vinculativas” para o défice orçamental e dívida pública dos países membros. Isto, embora reconhecendo que “uma reforma deste tipo exige um consenso sobre alterações do Tratado [da União Europeia], o que levará tempo”.
Fragilidades na zona euro Ao mesmo tempo, defende o FMI, o quadro orçamental da zona euro tem de ser “reforçado de forma significativa” porque o pacto de estabilidade e crescimento do euro (PEC) “não encorajou os Estados membros a tirar partido dos bons tempos para construir almofadas de segurança e reduzir a dívida para níveis prudentes”.
Esta situação reflecte “fragilidades fundamentais na prevenção e aplicação [do PEC] que precisam de ser urgentemente enfrentados”, afirma.
Estes são precisamente os grandes temas que estão em discussão entre os países europeus no quadro das tentativas de reforçar a governação da zona euro e correcção das lacunas detectadas, que ontem voltaram a ocupar os 27 países da UE e prosseguiam à hora do fecho desta edição.
Sem comentários:
Enviar um comentário