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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Conseguir poupar mais passa por uma "alteração de hábitos"

inSapo Noticias” - 29 de Outubro de 2010

Apagar as luzes, desligar os aparelhos electrónicos das tomadas, tomar banhos mais curtos ou fechar a água enquanto lava os dentes.

Pequenos gestos de grande importância quando se quer poupar mais.

Mas existem outras decisões que devem ser ponderadas quando se pretende reduzir os gastos, principalmente em altura de crise. Por exemplo, “cancelar as férias de Natal que iriam ser pagas com recurso ao crédito”, diz ao SAPO Anabela Mesquita, vice-presidente do Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP).
O ISCAP está à frente de um projecto europeu sobre literacia financeira, que pretende identificar as dificuldades de certas populações com o vocabulário financeiro e hábitos de poupança, desenvolvendo técnicas que as ensinem a poupar de forma sustentada.
“Nós achamos que os cidadãos precisam de ter a sua disposição instrumentos adequados que lhes permitam gerir os seus orçamentos e tomar consciência dos muitos produtos e mecanismos disponibilizados pelas instituições financeiras”, resume Anabela Mesquita, coordenadora do projecto FinLiCo - Financial Literacy Competences.

"Muitas vezes não temos consciência de que aquilo que consumimos hoje pode comprometer o nosso futuro" Anabela Mesquita

Linguagem dos bancos
Se dentro de casa é possível tomar algumas decisões simples que podem ajudar a poupar, o mesmo não parece acontecer quando se entra no terreno dos bancos.
Um estudo recente divulgado pelo Banco de Portugal indica que 74 por cento dos portugueses “não sabe” ou “sabe apenas de forma aproximada” o valor das comissões cobradas pela banca.
Anabela Mesquita reconhece que existe “desconhecimento” sobre alguns termos, como a taxa de juro ou o SPREAD. “São palavras que não significam absolutamente nada, que se traduzem apenas na factura que no fim do mês tem que ser paga”, nota a especialista.
“Há da parte do sector bancário alguma preocupação em explicar em que é que consiste um cheque, a taxa de juro, entre outros conceitos”, refere a coordenadora do projecto FinLiCo. “O problema é que da parte de algumas instituições bancárias estas informações são densas, não são totalmente desmontáveis e acessíveis a pessoas com menos formação”, aponta Anabela Mesquita.

Oito países europeus envolvidos
O FinLiCo arranca oficialmente em Novembro e vai contar com a participação da Eslovénia, Eslováquia, Áustria, República Checa, Reino Unido, Chipre e Itália.
A primeira fase do projecto, que vai ter a duração de dois anos, vai ser usada para “identificar as necessidades reais das populações em termos de literacia financeira, em colaboração com parceiros locais”, explica a vice-presidente do ISCAP.
Com estes dados, serão elaborados materiais que vão ajudar na formação das populações. Um kit de ferramentas úteis para os formandos e um livro para os formadores. Todos os materiais produzidos serão traduzidos para português e o ISCAP vai também apostar na formação por e-learning.

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