[ Diretor: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano XII

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Clima - Crise leva países o substituir agenda ambiental pelo económico


in "Diário de Aveiro" - 30.Nov.2010


Os países têm substituído a agenda ambiental pela económica, devido à crise, e em Cancún deverão ficar-se por acordos em algumas áreas, sendo difícil ter uma alternativa ao protocolo de Quioto até 2012


A Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas começou ontem em Cancún, no México, e reúne representantes de cerca de 200 países que vão tentar chegar a um acordo global sobre a redução de emissões de gases com efeito de estufa e o apoio à adaptação dos países em vias de desenvolvimento, de modo a travar a subida da temperatura média do planeta e as consequentes alterações no clima.
"A questão central é saber se vamos chegar a 2012 e se temos uma alternativa a Quioto. Neste momento, ao ritmo a que a coisas estão a acontecer, diria que as hipóteses se inclinam mais no sentido de não conseguirmos, de facto, uma alternativa", disse à agência Lusa Viriato Soromenho-Marques, responsável pelo Programa Gulbenkian Ambiente.
Por isso se fala, na União Europeia (UE), na possibilidade de prolongar o protocolo de Quioto, que vigora até 2012, por mais alguns anos, acrescentou. Em Cancún, deverá ser conseguido mais apoio financeiro para a estratégia de adaptação por parte de países em vias de desenvolvimento e desenvolvida a questão das florestas para evitar a desflorestação, relevante para a redução das emissões com gases com efeito de estufa.
Desde a conferência de Copenhaga, em Dezembro do ano passado, "mudou muita coisa e não para melhor", salientou o especialista. No último ano, "os diferentes governos, sobretudo em países desenvolvidos, com o agravamento da crise financeira e económica, acabaram por não ser capazes de cruzar as agendas políticas", substituindo o ambiente pela economia, embora a sua articulação fosse "útil e necessária", explicou Soromenho-Marques.
"Seria possível que o combate à crise fosse cruzado com as alterações climáticas", disse o responsável, avançando o exemplo da aposta nas energias renováveis, que aumenta a autonomia energética, evita importações e cria postos de trabalho.
Os EUA são um exemplo desta situação, estão fora de Quioto e sem este país "não temos a China no processo"; por isso, o afastamento dos EUA "é um factor que vai fazer perigar toda a possibilidade de chegarmos a 2012 com um novo regime", acrescentou. No contexto da UE, Portugal "não se tem saído mal" e tem conseguido aproximar-se das metas definidas em Quioto, salientou Soromenho-Marques.
A redução das emissões "tem a ver com a mudança dos comportamentos individuais em função da crise económica e financeira", mas também com a opção de política energética, com aposta nas renováveis e com os diversos instrumentos que o Governo tem aprovado no sentido do combate às alterações climáticas.

Sem comentários: