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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

TAP admite subir taxa que cobra aos passageiros

por: Raquel Almeida Correia
inPúblico” – 25.Fev.2011

Empresa não se protegeu contra subida do preço do combustível

A transportadora aérea estatal não se protegeu, este ano, contra a subida do preço do combustível e, por isso, está mais exposta à escalada do petróleo, provocada pelos receios de que revoltas como a contra o regime de Khadafi , na Líbia, ocorram em outros países produtores de crude. Apesar de ter aumentado recentemente a taxa cobrada aos passageiros por causa deste custo, a empresa admite uma nova revisão em alta.
Os contratos de hedging, termo utilizado para definir este tipo de protecção, terminaram no final do ano passado”, explicou António Monteiro, porta-voz da TAP, ao PÚBLICO. Nessa altura, “os preços já estavam elevados”, pelo que a empresa decidiu não estabelecer novos acordos porque ficariam muito dispendiosos e não se previa, na altura, que o petróleo subisse muito mais.
Não havia interesse em fazer protecção porque a expectativa era que os preços se mantivessem ao mesmo nível. Não contávamos com esta alteração”, referiu o responsável, acrescentando que a situação actual “é sobre a qualidade do petróleo disponível, uma vez que “nada está ainda bem definido”. Essa preocupação é partilhada também pela Galp: “Neste momento, existe uma significativa capacidade de produção de petróleo não utilizada, que reside sobretudo em outros países-membros da OPEP, em particular na Arábia Saudita, sendo todavia de qualidades diferentes”, afirmou ao PÚBLICO uma fonte oficial da petrolífera.
Essa diferença de qualidade corresponde a custos de aquisição mais baixos, mas em contrapartida aumenta as despesas da refinação que tem lugar em Sines e em Matosinhos, devido à necessidade de processar petróleo bruto mais “pesado” (com maiores quantidades de produtos sulfúricos).

Resultado? O mais provável deverão ser novas subidas dos preços dos combustíveis. um motivo de grande preocupação” para a companhia de aviação, detida a 100 por cento pelo Estado, uma vez que a factura com combustível representa cerca de 30 por cento dos seus custos operacionais.

30%
Combustível - Representa 30 por cento dos custos operacionais da transportadora aérea portuguesa

Quando se faz hedging, há uma componente de risco muito elevada, porque os preços oscilam. Quem tem capacidade financeira, pode correr esses riscos, mas a TAP está naturalmente muito mais limitada”, explicou António Monteiro.
Não tendo feito essa protecção, a transportadora aérea está expectante em relação à subida de preço do crude, que se aproxima dos 120 dólares.
Esta escalada também poderá ter consequências para os consumidores, que pagam às companhias de aviação uma taxa pelo combustível utilizado nas viagens.
Apesar de ter já aumentado esta taxa em 2011 nos voos europeus e de longo curso, quando o petróleo passou a barreira dos 100 dólares, a TAP admite rever novamente em alta os valores cobrados.
É uma possibilidade”, avançou o porta-voz da empresa, explicando que a companhia de aviação “seguirá a tendência” das suas congéneres de maior dimensão, como a British Airways e a Air France, nessa decisão comercial.

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