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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Privatizações. Estrangeiros já controlam mais de metade do capital da EDP



por: Ana Suspiro

Publicado em 30 de Agosto de 2011



A venda de 20% da eléctrica deverá ser a primeira privatização a avançar em Setembro. RTP e Águas de Portugal ficam para 2012

Ainda o Estado não concretizou a alienação de 20% do capital EDP e já os investidores privados detêm mais de 50% da eléctrica nacional
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No final do primeiro semestre deste ano, os accionistas portugueses detinham 48% do capital da eléctrica. De acordo com o relatório e contas da EDP, o resto do capital estava distribuído por várias nacionalidades, mais concentradas na Europa. O Reino Unido e Espanha detinham 6% cada, sendo esta última a participação da Iberdrola. Já os investidores não europeus detinham uma fatia correspondente a 17% do capital, com os americanos a possuir 6%. No resto do mundo estão colocados 11% do capital da EDP. É nesta categoria que se encontram alguns accionistas de referência como a argelina Sonatrach e a IPIC do Abu Dhabi, um grupo a que se juntou na semana passada o fundo soberano do Qatar. Os dados fornecidos pela Interbolsa mostram que os investidores particulares apenas possuem 10% do capital da eléctrica, enquanto que os institucionais, bancos, empresas e fundos controlam 87%.

O peso dos estrangeiros no capital da EDP vai ser reforçado com a venda de 20% do capital da eléctrica. A privatização deve arrancar em Setembro e será a primeira operação a realizar-se já no novo quadro legal e de estatutos da eléctrica, aprovado na semana passada: ou seja sem golden-share e com o limite aos direitos de voto alargado de 5% para 20%. Esta alteração introduzida pelo Estado indicia a intenção do governo de vender em bloco os 20% de capital que detém directamente - a participação dos obrigacionistas está excluída. Um concurso desta dimensão terá como candidatos certos grandes eléctricas internacionais, algumas das quais, como a China Power e a brasileira Electrobrás, já manifestaram publicamente o interesse.

EDP, REN e TAP são as privatizações previstas para este ano. Para o próximo ano ainda não há uma lista, mas ontem ficou a saber-se que o governo tem como intenção avançar com as privatizações da RTP e da Águas de Portugal até final de 2012. A informação, divulgada pela agência Bloomberg, consta da primeira avaliação da troika ao programa de ajuda a Portugal.
A RTP e a Águas de Portugal, talvez as privatizações mais polémicas, juntam-se à lista das empresas a alienar que já tinha sido definida pelo anterior governo e que inclui os CTT, a área seguradora da Caixa, a ANA - Aeroportos de Portugal e a CP Carga.

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