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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Tráfego nas ex-Scut cai três vezes mais que no resto da rede rodoviária



por: Ana Suspiro

Publicado em 30 de Agosto de 2011


A crise agravou o efeito da introdução de portagens. Tráfego nas Scut grátis também está em queda


O efeito combinado da crise económica, do aumento do preço dos combustíveis e da introdução de portagens levou a uma queda no tráfego superior a 40% no primeiro trimestre do ano nas três Scut que já são pagas. Este número considera a soma do número médio de automóveis a circular na Costa da Prata, Grande Porto e Norte Litoral, mas há vias onde a perda de tráfego ultrapassa os 50%, segundo números da Lusa.

Esta queda é pelo menos três vezes superior à registada no tráfego médio diário da rede concessionada, onde estão todas as auto-estradas do país e ainda as estradas nacionais operadas pela Estradas de Portugal, embora sobre esta concessão ainda não existam dados até Março. Nestas vias, a descida média nos primeiros três meses do ano foi de 12,6%, face a igual período do ano passado.

Os dados do INIR (Instituto Nacional das Infra-estrutura Rodoviárias) para o primeiro trimestre do ano mostram um quadro que é pouco animador para as receitas da Estradas de Portugal e do Estado.

Queda agrava-se


Os dados relativos a tráfego médio diário nas três Scut mostram que a perda de tráfego, em comparação com o mesmo período do ano passado, se agravou em Março face às descidas registadas em Janeiro e Fevereiro. Esta evolução contraria as expectativas das concessionárias, segundo as quais haveria uma retoma da procura após o embate inicial provocado pela introdução de portagens em Outubro de 2010.

A previsão parece, para já, não se confirmar, em parte devido ao forte aumento do preço dos combustíveis nos primeiros meses do ano, mas também por causa dos primeiros sinais da retracção económica.

A Scut da Costa da Prata foi a que sofreu a maior perda de tráfego: 48,7%. Esta performance acabou por arrastar a concessão vizinha da auto-estrada A17, a Litoral Centro, onde o tráfego, já de si aquém das previsões, afundou 33,8% no primeiro trimestre. Razão para a concessionária liderada pela Brisa ter em marcha um pedido de compensação ao Estado.

Na concessão do Grande Porto, a procura caiu 45,8% no primeiro trimestre, enquanto que na Norte Litoral, a via mais usada pelos galegos, a descida do tráfego se ficou pelos 26,9%.

Segundo números já divulgados, a receita da Estradas de Portugal (EP) com portagens nas antigas Scut ascendeu a 26 milhões de euros no primeiro trimestre. Mas este valor inclui o IVA, esclareceu ao i fonte oficial da EP. Logo a receita líquida da empresa é inferior.

Scut grátis também a perder

Os dados do INIR mostram ainda uma outra realidade que é negativa para a perspectiva de receitas do Estado com a introdução de portagens nas restantes Scut. Apesar de ainda serem grátis, ao contrário de todas as outras concessões contabilizadas nestes números, as Scut grátis não são poupadas à queda de tráfego. Onde isso é mais visível é na concessão do Algarve, a Via do Infante, onde a circulação média diária afundou 17,4%. Nas restantes Scut, as descidas oscilaram entre os 3,5% na Beira Interior e 9,9% na Beiras Litoral e Alta.

A introdução de portagens nestas vias, previsivelmente a partir de Outubro deste ano - o governo ainda não anunciou data - só vai agravar mais esta perda de tráfego.

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