[ Director: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano VII

Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011

MaxiMídia “ensina” como o mercado deve falar com as crianças

por: Redação em 27 Setembro 2011


- Comportamento
A imprensa já está atenta à discussão da regulação da publicidade dirigida a crianças. Hoje, 27 de setembro, mais uma vez um veículo de grande circulação dá espaço para o tema, com nota publicada na coluna da Mônica Bergamo, no jornal Folha de S.Paulo (veja ao lado). Não é a primeira nem será a última vez que o assunto será abordado, afinal trata-se de um interesse de toda a sociedade, principalmente dos pais contemporêneos.

No entanto, o mercado insiste em driblar essas discussões, ignorando o quão antiético é anunciar para um público vulnerável como o infantil, que ainda não tem senso crítico formado para fazer escolhas conscientes. E ao invés de buscar uma mudança de paradigmas para uma relação de respeito com a infância, as empresas trilham o caminho oposto.

Venha ao MaxiMídia e aprenda a falar com quem mal aprendeu a falar”. Assim o MaxiMídia, um dos mais relevantes eventos da publicidade, anuncia o que os organizadores chamam de “um dos mais interessantes debates” da edição de 2011. E continuam: “Elas são pequenas só no tamanho. A influência que as crianças exercem sobre os adultos é imensa e os anunciantes sabem bem disso. Com uma legislação rigorosa sobre a comunicação direta com o público infantil, os anunciantes discutem como dialogar com as crianças sem ultrapassar barreiras. Afinal, como criar relevância para quem já tem uma vida tão dinâmica, no mundo físico e virtual, como a das crianças hoje?”.

A mesa de debate é composta por velhos conhecidos: representantes de empresas líderes em seus setores, como McDonald’s, Nestlé, Mattel,Sony e Cartoon Networks. com vários projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional e resoluções do poder Executivo, a regulação da publicidade dirigida ao público infantil entrou de vez na pauta política, mostrando a necessidade de limitar uma comunicação que se aproveita da vulnerabilidade infantil. Até os 12 anos, as crianças estão em fase de desenvolvimento psico-cognitivo e por isso ainda não compreendem plenamente os apelos sedutores para consumo. Quando expostas a essa comunicação persuasiva, são impactadas de forma avassaladora, o que contribui para uma série de problemas da vida contemporânea –

obesidade,

erotização precoce,

materialismo,

violência e estresse familiar, para enumerar alguns.
Mais uma vez o mercado prova que não tem intenção de mudar sua postura. Ao contrário, continua tentando encontrar brechas para mercantilizar a infância, fazendo de crianças pequenos consumidores fiéis às marcas. É essa a infância que queremos?


Тags : consequencia do consumismo, consumismo infantil, publicidade infantil, regulamentação de publicidade

Sem comentários: