[ Director: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano X

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Electricidade mais cara 1,75 euros numa factura de 50 euros


30.12.2011

Aumentos em 2012

A electricidade vai ficar quatro por cento mais cara a partir de 1 de Janeiro, o que representa um acréscimo de 1,75 euros para as famílias com uma factura de 50 euros.


O aumento de quatro por cento vai atingir 4,7 milhões de clientes domésticos, mas haverá ainda cerca de 666 mil clientes economicamente vulneráveis que, beneficiando de tarifa social, terão um aumento de apenas 2,3 por cento, o que representa cerca de 57 cêntimos numa factura média mensal de 26 euros.

De acordo com o regulador do mercado, o aumento das tarifas ficou-se pelos quatro por cento fruto do adiamento excepcional para os anos seguintes de cerca de mil milhões de euros bem como a introdução de preços de entrada nas redes a pagar pelos produtores, anteriormente paga integralmente pelos consumidores.

Para a ERSE, os principais factores que provocaram um aumento das tarifas para 2012 estão relacionados com o custo da matéria-prima nos mercados internacionais, que se prevê superior a 25 por cento relativamente a 2011, os incentivos económicos dados à produção em regime especial (renováveis e cogeração) e a evolução do consumo de energia eléctrica, em que se antecipa uma queda de três por cento relativamente a este ano.

Em relação ao gás, os consumidores só vão saber se haverá mexidas na factura em meados de Junho, uma vez que as novas tarifas de gás natural só são alteradas a 1 de Julho de cada ano, mantendo-se em vigor até 30 de junho do ano seguinte. As tarifas finais do gás, que subiram 3,9 por cento em Julho passado para os consumidores domésticos, serão anunciadas a 15 de Junho, reflectindo os custos de aquisição do gás natural nos mercados internacionais bem como das infraestruturas reguladas incorridas pelas empresas.

Recorde-se que o custo suportado pelos consumidores de electricidade e gás aumentou substancialmente em Outubro de 2011 por via de uma subida do IVA que incide sobre estes bens com a taxa a passar de seis para 23 por cento.

Esta alteração, que resulta do acordo de ajuda externa com a 'troika', estava prevista acontecer apenas a 1 de janeiro de 2012, mas foi antecipada pelo Governo para fazer face às dificuldades em atingir as metas orçamentais a que Portugal está obrigado. Para além da subida dos preços em 2012, o próximo ano ficará ainda marcado pelo início da liberalização do setor da eletricidade e do gás.

Os portugueses terão, assim, que começar a pensar a quem vão comprar a electricidade e o gás, como acontece actualmente nas telecomunicações, porque os preços deixam de ser fixados pelo regulador e passam a ser definidos por cada empresa. A partir de 1 de janeiro de 2013, a tarifa regulada deixa de 'concorrer' com a tarifa liberalizada. Ou seja, a esmagadora maioria dos consumidores serão 'obrigados' a passar para o mercado liberalizado, a escolher um fornecedor de energia e a contratar um preço como o faz actualmente com a Zon, Meo, Vodafone, etc, no sector das telecomunicações.

E se o consumidor não tiver rendimentos para tal, sempre pode aderir à tarifa social. A decisão de acabar com a tarifas reguladas, decorre do acordo assinado com a 'troika', está inserida numa política de liberalização do mercado da energia e que coloca fim ao 'monopólio' da EDP e da Galp como únicas empresas a que se pode recorrer em matéria de fornecimento de eletricidade e de gás.

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