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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011

Portugal é o país da Europa com o maior fosso de desigualdade entre ricos e pobres


por: Andrea Cunha Freitas

inPúblico

6.Dezembro.2011


Relatório divulgado ontem coloca Portugal no quinto lugar entre os 34 países da OCDE com economias mais desiguais



As boas notícias são que Portugal não agravou a distância entre ricos e pobres nos últimos anos, ao contrário do que se está a passar noutros países, segundo um relatório divulgado ontem pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) que revela que este fosso alcançou o seu nível mais alto nos últimos30 anos. Porém, o país mantém uma posição muito pouco invejável, apresentando-se ainda no primeiro lugar da tabela europeia e na quinta posição entre 34 países como uma das economias com maiores desigualdades entre os que têm muito e os que têm muito pouco. Estas são as más notícias.
Os 20% mais ricos de Portugal têm rendimentos seis vezes superiores (6,1) aos 20% mais pobres quando a média entre os 34 países da OCDE é de cinco vezes. Os dados revelados ontem no relatório Divided We Stand: Why Inequality Keeps Rising mostram que entre os 34 países a média de rendimentos dos 10% mais ricos é nove vezes superior aos 10% mais pobres. A OCDE não hesita em pedir aos governos que reajam a esta desigualdade, sugerindo uma revisão da política de impostos para que os ricos paguem mais ou tenham menos deduções, entre outras medidas.
O nível de desigualdade é dado pelo coeficiente de Gini (que vai de 0 a 1) no relatório da OCDE. Em 2008, Portugal encontrava-se no terceiro lugar da tabela dos países com maior desigualdade com um nível de 0,385. No relatório divulgado ontem, Portugal melhorou para a quinta posição, comum nível de 0,353. Melhor, mas ainda muito mau na fotografia geral. Pior do que Portugal está o México (0,476), o Chile (0,494), Israel (0,371) e os EUA (0,378). No vídeo que resume o documento da OCDE (com quase 400 páginas) Portugal é, aliás, citado como um dos países (juntamente com a França e a Espanha) onde o fosso entre ricos e pobres se mantém estável.
A OCDE relata uma tendência entre 1980 e 2000 que aponta para um crescimento mais acentuado dos rendimentos dos mais ricos em detrimento do aumento registado nos mais pobres. Porém, Portugal contraria esta tendência, revelando que o aumento dos rendimentos entre os que ganham menos foi na ordem dos3,6%, enquanto nos mais ricos foi de apenas 1,1%. Em média, em 27 países da OCDE, a diferença nestes 20 anos foi de um aumento dos rendimentos de 1,3% entre os que ganham menos e de 1,9% entre os que ganham mais.
De acordo com a OCDE, a distância entre os rendimentos de ricos e pobres aumentou em países como a Alemanha, Dinamarca e Suécia onde em 1980 era de cinco vezes para um e actualmente é de seis vezes para um.
O fosso é maior, de 10 para um, em Itália, Japão, Coreia e Reino Unido e maior ainda, de 14 para um, em Israel, Turquia e EUA. No Chile e no México, os rendimentos dos ricos são 25 vezes superiores aos dos mais pobres (registando assim os valores mais elevados na OCDE), mas terão “finalmente, começado a cair”.
“Não há nada de inevitável na elevada e crescente desigualdade”, sublinhou o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, na conferência de imprensa em Paris que serviu para a apresentação do relatório. Segundo este responsável, o instrumento mais poderoso para conter este aumento da desigualdade é a promoção de mão-de-obra mais qualificada. O investimento nas pessoas tem de começar cedo, na infância, e continuar, defendeu Gurría. A OCDE nota ainda que o crescente recurso a trabalho em part-time e horários flexíveis ajudou a aumentar a produtividade e criou postos de trabalho. Porém, este fenómeno conseguiu também aumentar a distância nos salários.

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