in “Público”
6.Dezembro.2011
Relatório divulgado ontem coloca Portugal no quinto lugar entre os 34 países da OCDE com economias mais desiguais
As boas notícias são que Portugal não agravou a distância entre ricos e pobres nos últimos anos, ao contrário do que se está a passar noutros países, segundo um relatório divulgado ontem pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) que revela que este fosso alcançou o seu nível mais alto nos últimos30 anos. Porém, o país mantém uma posição muito pouco invejável, apresentando-se ainda no primeiro lugar da tabela europeia e na quinta posição entre 34 países como uma das economias com maiores desigualdades entre os que têm muito e os que têm muito pouco. Estas são as más notícias.
Os 20% mais ricos de Portugal têm rendimentos seis vezes superiores (6,1) aos 20% mais pobres quando a média entre os 34 países da OCDE é de cinco vezes. Os dados revelados ontem no relatório Divided We Stand: Why Inequality Keeps Rising mostram que entre os 34 países a média de rendimentos dos 10% mais ricos é nove vezes superior aos 10% mais pobres. A OCDE não hesita em pedir aos governos que reajam a esta desigualdade, sugerindo uma revisão da política de impostos para que os ricos paguem mais ou tenham menos deduções, entre outras medidas.
O nível de desigualdade é dado pelo coeficiente de Gini (que vai de 0 a 1) no relatório da OCDE. Em 2008, Portugal encontrava-se no terceiro lugar da tabela dos países com maior desigualdade com um nível de 0,385. No relatório divulgado ontem, Portugal melhorou para a quinta posição, comum nível de 0,353. Melhor, mas ainda muito mau na fotografia geral. Pior do que Portugal está o México (0,476), o Chile (0,494), Israel (0,371) e os EUA (0,378). No vídeo que resume o documento da OCDE (com quase 400 páginas) Portugal é, aliás, citado como um dos países (juntamente com a França e a Espanha) onde o fosso entre ricos e pobres se mantém estável.
A OCDE relata uma tendência entre 1980 e 2000 que aponta para um crescimento mais acentuado dos rendimentos dos mais ricos em detrimento do aumento registado nos mais pobres. Porém, Portugal contraria esta tendência, revelando que o aumento dos rendimentos entre os que ganham menos foi na ordem dos3,6%, enquanto nos mais ricos foi de apenas 1,1%. Em média, em 27 países da OCDE, a diferença nestes 20 anos foi de um aumento dos rendimentos de 1,3% entre os que ganham menos e de 1,9% entre os que ganham mais.
De acordo com a OCDE, a distância entre os rendimentos de ricos e pobres aumentou em países como a Alemanha, Dinamarca e Suécia onde em 1980 era de cinco vezes para um e actualmente é de seis vezes para um.
O fosso é maior, de 10 para um, em Itália, Japão, Coreia e Reino Unido e maior ainda, de 14 para um, em Israel, Turquia e EUA. No Chile e no México, os rendimentos dos ricos são 25 vezes superiores aos dos mais pobres (registando assim os valores mais elevados na OCDE), mas terão “finalmente, começado a cair”.
“Não há nada de inevitável na elevada e crescente desigualdade”, sublinhou o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, na conferência de imprensa em Paris que serviu para a apresentação do relatório. Segundo este responsável, o instrumento mais poderoso para conter este aumento da desigualdade é a promoção de mão-de-obra mais qualificada. O investimento nas pessoas tem de começar cedo, na infância, e continuar, defendeu Gurría. A OCDE nota ainda que o crescente recurso a trabalho em part-time e horários flexíveis ajudou a aumentar a produtividade e criou postos de trabalho. Porém, este fenómeno conseguiu também aumentar a distância nos salários.
Os 20% mais ricos de Portugal têm rendimentos seis vezes superiores (6,1) aos 20% mais pobres quando a média entre os 34 países da OCDE é de cinco vezes. Os dados revelados ontem no relatório Divided We Stand: Why Inequality Keeps Rising mostram que entre os 34 países a média de rendimentos dos 10% mais ricos é nove vezes superior aos 10% mais pobres. A OCDE não hesita em pedir aos governos que reajam a esta desigualdade, sugerindo uma revisão da política de impostos para que os ricos paguem mais ou tenham menos deduções, entre outras medidas.
O nível de desigualdade é dado pelo coeficiente de Gini (que vai de 0 a 1) no relatório da OCDE. Em 2008, Portugal encontrava-se no terceiro lugar da tabela dos países com maior desigualdade com um nível de 0,385. No relatório divulgado ontem, Portugal melhorou para a quinta posição, comum nível de 0,353. Melhor, mas ainda muito mau na fotografia geral. Pior do que Portugal está o México (0,476), o Chile (0,494), Israel (0,371) e os EUA (0,378). No vídeo que resume o documento da OCDE (com quase 400 páginas) Portugal é, aliás, citado como um dos países (juntamente com a França e a Espanha) onde o fosso entre ricos e pobres se mantém estável.
A OCDE relata uma tendência entre 1980 e 2000 que aponta para um crescimento mais acentuado dos rendimentos dos mais ricos em detrimento do aumento registado nos mais pobres. Porém, Portugal contraria esta tendência, revelando que o aumento dos rendimentos entre os que ganham menos foi na ordem dos3,6%, enquanto nos mais ricos foi de apenas 1,1%. Em média, em 27 países da OCDE, a diferença nestes 20 anos foi de um aumento dos rendimentos de 1,3% entre os que ganham menos e de 1,9% entre os que ganham mais.
De acordo com a OCDE, a distância entre os rendimentos de ricos e pobres aumentou em países como a Alemanha, Dinamarca e Suécia onde em 1980 era de cinco vezes para um e actualmente é de seis vezes para um.
O fosso é maior, de 10 para um, em Itália, Japão, Coreia e Reino Unido e maior ainda, de 14 para um, em Israel, Turquia e EUA. No Chile e no México, os rendimentos dos ricos são 25 vezes superiores aos dos mais pobres (registando assim os valores mais elevados na OCDE), mas terão “finalmente, começado a cair”.
“Não há nada de inevitável na elevada e crescente desigualdade”, sublinhou o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, na conferência de imprensa em Paris que serviu para a apresentação do relatório. Segundo este responsável, o instrumento mais poderoso para conter este aumento da desigualdade é a promoção de mão-de-obra mais qualificada. O investimento nas pessoas tem de começar cedo, na infância, e continuar, defendeu Gurría. A OCDE nota ainda que o crescente recurso a trabalho em part-time e horários flexíveis ajudou a aumentar a produtividade e criou postos de trabalho. Porém, este fenómeno conseguiu também aumentar a distância nos salários. 
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