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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A uma semana do apagão no litoral: Estudo conclui que 41% dos inquiridos não sabem o que fazer

por: Raquel Almeida Correia

6.Janeiro.2012


Um estudo realizado pelo Observatório da Comunicação (Obercom), que será divulgado hoje, conclui que 41% dos portugueses que possuem acesso à televisão por antena não sabem o que fazer face ao desligamento do sinal analógico.


O relatório revela ainda que 12,1% dos inquiridos vai optar pela subscrição de serviços pagos, que não era necessária para migrar para o sinal digital.
Esta análise, que foi realizada entre 2 e 14 de Dezembro com base em 1250 entrevistas em vários pontos do continente, conclui ainda que 2,7% das pessoas vão simplesmente deixar de ter televisão em casa, fruto da migração para a Televisão Digital Terrestre (TDT), que acontecerá no litoral do país a partir de 12 de Janeiro.
E, por fim, que 44,1% dos portugueses seguirão o método aconselhado quando ocorrer o desligamento do sinal analógico. Destes, 37,1% mostraram-se mais inclinados para comprar um descodificador de sinal e os restantes 7% vão adquirir um televisor que já tenha incorporado um dispositivo de recepção adequado.
Relativamente aos que já têm televisão paga (e que, por isso, não serão afectados pelo apagão), o Obercom concluiu que a maioria não tenciona renegociar o contrato que estabeleceu com o respectivo operador. Para 64,1% destes inquiridos, a migração não provocará qualquer alteração no serviço de que dispõem, que, em Portugal, é prestado, por exemplo, pela PT (Meo) e pela Zon.
No entanto, 16,4% das pessoas asseguram que irão rever a sua situação contratual face à passagem
para o digital. Esta situação poderá estar relacionada com o facto de parte da população ter adoptado a televisão paga porque não conseguia uma cobertura adequada do sinal analógico, o que tinha impacto na qualidade da imagem e até impedia a sintonização de alguns canais.
Uma vez implementada a TDT, poderá haver consumidores a desistir da subscrição.
O relatório do Obercom mostra ainda que Portugal tem sofrido uma transformação no acesso à televisão.
Os dados preliminares de 2011 revelam que 56,5% das pessoas utilizam os serviços pagos e que 37,2% possuem ligação por antena. Em 2008, a subscrição representava 38,3% e o sistema convencional 56,3%, concluindo-se, por isso, que houve uma transferência na liderança da forma como os portugueses vêem televisão.
Na análise, o Obercom aponta algumas críticas ao processo de migração, afirmando que “comporta algumas desvantagens”. Isto porque a complexidade da implementação da TDT deveria implicar “a existência de um aparelho de comunicação massivo (...) que esteve ausente durante a maior parte do processo”. Só assim teria sido possível a “correcta e integral informação da população acerca da mudança”.
No entanto, o observatório refere que, comparando os anos de 2008 e 2010, “houve um aumento das percentagens de indivíduos que já estavam familiarizados com os termos necessários para compreender em que consiste a mudança”. Os homens revelam mais conhecimento sobre este assunto do que as mulheres e conclui-se também que o domínio da TDT decresce à medida que a idade aumenta e é mais profundo nas pessoas com escolaridade mais elevada.

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