O Tribunal de Justiça de São Paulo deve julgar nesta terça-feira os recursos
da Apas (Associação Paulista de Supermercados) e de três redes varejistas
(Carrefour, Pão de Açúcar e Sonda) para derrubar a liminar que determinou a
distribuição gratuita de sacolas de plástico no final de junho e de embalagens
biodegradáveis a partir desta semana.
Em decisão liminar, a juíza Cynthia Torres Cristófaro, da Primeira Vara
Central da capital, determinou no dia 25 de junho que os associados à Apas e as
redes de supermercados (incluindo o Walmart) voltassem a distribuir
gratuitamente sacolas plástico na boca do caixa.
Cristófaro decidiu que as empresas tinham 48 horas para cumprir a medida, no
caso das sacolas plásticas, e 30 dias, "gratuitamente e em quantidade suficiente
embalagens de material biodegradável ou de papel".
| Aline Lata - 15.mar.2012/Folhapress | ||
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| Cliente recebe sacola reutilizável em supermercado de São Paulo |
A decisão passou a valer a partir da data da intimação de cada uma das redes,
e o prazo venceu na sexta-feira (27). Carrefour, Pão de Açúcar e Sonda deveriam
ter iniciado ontem a distribuição de embalagens biodegradáveis ou de papel.
A decisão não vale para o Walmart, que ainda não foi intimado porque sua sede
fica em Barueri, na Grande São Paulo. Carta precatória já foi enviada para a
Justiça da cidade.
Três desembargadores do TJ devem analisar hoje, a partir das 13h30, o mérito
dos recursos das três redes varejistas e da Apas.
"Como não há punição alguma prevista na liminar da juíza, entramos com pedido
de multa diária de R$ 25 mil se as redes descumprirem a liminar", disse Marli
Sampaio, presidente da entidade SOS Consumidores, órgão de defesa do consumidor
autor da ação civil pública que deu origem à decisão da Justiça.
O pedido de multa para quem descumprir a liminar também não foi analisado
ainda. Mas, segundo Sampaio, pode ocorrer em breve.
OUTRO LADO
Segundo o Carrefour, a partir de hoje estão disponíveis sacolas
oxibiodegradáveis em todas as lojas de sua rede no Estado de São Paulo.
"Alinhado ao seu compromisso com o desenvolvimento sustentável, a rede
continuará a trabalhar para promover o consumo consciente e reduzir o impacto
ambiental de suas operações, informou o supermercado, em nota.
"O Carrefour incentivará o uso racional destas embalagens, estimulando a
adoção de alternativas sustentáveis para o acondicionamento das compras, como
sacolas reutilizáveis", disse a rede.
O Pão de Açúcar informou que aguardará a decisão do Tribunal de Justiça,
sobre o recurso impetrado pela companhia, para anunciar o que pretende fazer em
relação às embalagens biodegradáveis determinada em primeira instância.
"O grupo reforça que é uma empresa comprometida com a sustentabilidade e
mantém seu compromisso de estimular o consumo consciente através do uso racional
de embalagens e do combate ao desperdício com a oferta de alternativas
sustentáveis para o transporte de suas compras, bem como o descarte correto de
todos os resíduos".
A assessoria de imprensa do Sonda disse que o grupo não tomou decisão "quanto
à distribuição gratuitas das sacolas biodegradáveis ou de papel". O caso está
sendo analisado pelo departamento jurídico do grupo.
ASSOCIAÇÃO DO SETOR
A Apas (Associação Paulista de Supermercados) informou que vem orientando os
associados a cumprir a decisão da juíza da Primeira Vara e a cumprir todas as
determinações judiciais que recebe.
"Na ocasião [da decisão da juíza], a entidade os orientou, por meio de
comunicado oficial, a distribuir sacolas de plástico descartáveis ao consumidor,
no prazo de 48 horas. Após 30 dias subsequentes (29 de julho), os supermercados
deveriam distribuir sacolas biodegradáveis ou de papel, de acordo com o que cada
rede julgar apropriado", disse a Apas, em nota.
A associação sugere que haja "uma audiência preliminar com todos os
interessados: as redes de supermercados, Ministério Público, Procon e SOS
Consumidor, que entrou com ação contra a entidade, visando uma solução
consensual para o grave problema ambiental representado pela distribuição
indiscriminada de sacolas descartáveis, além de oferecer uma melhor opção
sustentável para atender as necessidades do consumidor".
Ela disse que continua a defender a sua campanha em favor da sustentabilidade
e contra a cultura do desperdício. A Apas diz que a campanha é para evitar
problemas ambientais causados pelo "enorme volume de sacolas descartáveis
distribuídas e ao seu descarte inadequado, entupindo bueiros e gerando
enchentes".
7 BILHÕES DE SACOLAS
Por ano, os supermercados paulistas distribuem 7 bilhões de sacolas plásticas
descaráveis. "Substituí-las por 7 bilhões de sacolas de qualquer outro tipo de
material em nada amenizaria o problema ambiental", diz a Apas.
"Em linha com o Plano de Produção e Consumo do Ministério do Meio Ambiente e
com o acordo firmado em maio de 2011 com o Governo do Estado de São Paulo, a
Apas acredita que a melhor solução para o país seria a redução do consumo de
sacolas", diz a associação.
Segundo ela, "isso condiz com o acordo setorial firmado entre a Apas
(Associação Brasileira de Supermercados) e o Ministério do Meio Ambiente que
visa reduzir em 40% das sacolas descartáveis até 2015".
Jornal Folha de S.Paulo, 31/07/2012










