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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Podemos viver só com energia renovável? E a que preço?

 
por: Ana Suspiro
 
27.Fevereiro.2017


Portugal é visto como exemplo nas energias verdes. A
 produção renovável vai continuar a crescer. Mas até onde
 se pode ir sem colocar em risco a segurança do
 abastecimento e sem agravar os custos?
O ano de 2016 foi de recordes para a energia renovável em Portugal. A produção em regime especial representou 64% do consumo de energia elétrica no continente, uma “percentagem histórica” na expressão da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN). Trocado por miúdos, as energias “verdes”, geradas a partir da água, vento, sol ou biomassa, foram suficientes para abastecer o consumo nacional durante 1.130 horas, o que vale mais de 1,5 meses.

Já no arranque do ano, a 2 de janeiro, a REN registou o valor máximo instantâneo de 4.532 MW na produção de energia eólica, um recorde. Mas o que mais deu nas vistas, e voltou a colocar Portugal como um exemplo nesta área, foram os 4,5 dias seguidos ou 107 horas em maio de 2016 quando o país só consumiu eletricidade verde. Um feito que valeu o terceiro lugar na lista do jornal britânico The Guardian para os 12 momentos mais importantes para a ciência no ano passado.

E se não fossem apenas quatro dias ou um mês e meio? E se fosse o ano todo? É possível? Quanto custará? E valerá a pena?

Estas perguntas foram o ponto de partida para um desafio colocado pelo Observador a produtores e especialistas como António Sá da Costa, presidente da APREN, mas também das duas principais empresas, a EDP e a REN (Redes Energéticas Nacionais), que têm de gerir as incertezas e contingências que a energia renovável representa no sistema.

É possível abastecer 100% do consumo com energias renováveis?

(...)

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