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segunda-feira, 20 de março de 2017

Apneia obstrutiva do sono: uma doença com impacto pessoal, familiar e social

Entrevista                                                                                                                                                                .
Por: Paula Pinto, coordenadora da Unidade de Sono e Ventilação não Invasiva do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN)

Apneia obstrutiva do sono: uma doença com impacto pessoal, familiar e social
Acorda cansado, com a sensação de um sono não reparador e uma sonolência diurna excessiva? O seu cônjuge queixa-se que ressona durante a noite e por vezes tem interrupções na respiração? São sinais que muitas pessoas não dão importância, menosprezando, assim, possíveis sintomas da apneia obstrutiva do sono, uma doença frequente e grave. Em entrevista ao Vital Health, Paula Pinto, coordenadora da Unidade de Sono e Ventilação não Invasiva do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), explica o impacto que esta doença apresenta a nível da Saúde, mas também na vida pessoal, familiar e social dos doentes.
Vital Health (VH) | A apneia obstrutiva do sono caracteriza-se pelo colapso intermitente da via aérea superior durante o sono, que leva a uma respiração irregular e a repetidos momentos de despertar durante a noite. Quais as consequências desta situação?

Paula Pinto (PP) | A síndrome de apneia obstrutiva do sono é uma situação caracterizada por paragens respiratórias que se repetem várias vezes ao longo da noite e que originam diminuição dos níveis de oxigénio no sangue e despertares. Estes levam a uma má qualidade do sono, que se pode traduzir em hipersonolência durante o dia, podendo o doente adormecer com facilidade, mesmo a conduzir ou no local de trabalho. Por outro lado, a redução dos níveis noturnos de oxigénio no sangue podem levar a um aumento do risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, enfarte e arritmias, e tem sido apontada como responsável pelo aumento da mortalidade observada nestes doentes.

VH | Quais os sintomas associados à apneia obstrutiva do sono?

PP | Os doentes com síndrome de apneia obstrutiva do sono são frequentemente obesos, com um ressonar muito intenso, com pausas respiratórias visualizadas durante o sono, sensação de sono não reparador, alterações de concentração, atenção e memória, diminuição da líbido, nomeadamente disfunção eréctil nos homens, hipersonolência durante as atividades diárias e muito frequentemente apresentam também doenças cardíacas associadas, nomeadamente hipertensão arterial, enfarte do miocárdio e arritmias.

VH | A apneia obstrutiva do sono afeta entre 10 a 12 % da população adulta, a partir dos 40 anos de idade, sobretudo do sexo masculino, já que existem nove homens afetados para cada mulher. Quais as razões desta incidência?

PP | Os homens apresentam duas a três vezes maior risco de vir a desenvolver apneia obstrutiva do sono. A diferença de prevalência entre géneros pode resultar de diferenças anatómicas. Os homens apresentam, em média, um maior calibre da via aérea superior, tornando-a mais vulnerável ao colapso. As diferenças hormonais entre géneros também parecem estar implicadas nesta diferença. A observação do aumento da incidência de apneia obstrutiva do sono em mulheres após a menopausa pode ser explicada pela perda da proteção hormonal.

VH | Cerca de 70% dos indivíduos que sofrem de apneia obstrutiva do sono são obesos. Qual a razão desta relação?
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