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sexta-feira, 10 de março de 2017

Centros de saúde precisam de mais 163 carros para prestar cuidados em casa


Sexta-Feira - 10 de março de 2017
  Fundado em 29 de dezembro de 1864
 
Portugal

Em dois anos, 35 agrupamentos gastaram 3,2 milhões de euros em táxis e aluguer de viaturas para cuidados domiciliários. BE apresenta projeto de resolução que recomenda ao governo fim de restrições para compra de frota

Os centros de saúde precisam de mais 163 carros para prestarem cuidados domiciliários a doentes com dificuldades em sair de casa. As contas são apresentadas pelo Bloco de Esquerda (BE) num projeto de resolução, a que o DN teve acesso e que dará entrada hoje no Parlamento, que recomenda ao governo que acabe com "as limitações à aquisição de viaturas" e com o "desperdício de recursos públicos" gastos no aluguer de viaturas e em táxis, que em dois anos representaram uma despesa de 3,2 milhões de euros para 35 agrupamentos de centros de saúde.

"Continuam a existir restrições aos cuidados e uma das principais queixas que nos referem, quando fazemos visitas aos centros de saúde, é a inexistência de frota para os cuidados domiciliários", diz ao DN Moisés Ferreira, deputado do BE, que reforça: "Os cuidados domiciliários são muito importantes, primeiro porque são o garante de melhor acesso e proximidade do SNS às pessoas com maior dificuldade de deslocação, mais isoladas e excluídas; segundo, permite reduzir a institucionalização".

Dos 55 agrupamentos de centros de saúde (ACES) e unidades locais de saúde (ULS) que o BE questionou sobre quantos carros têm, quantos precisam e quanto gastaram em 2014 e 2015 em táxis e aluguer de viaturas para ir a casa dos utentes prestar cuidados comunitários ou continuados, 48 responderam e disseram ter no total 699 viaturas. E destes, 22 ACES afirmaram precisar de mais carros: no total 163. "É natural que este número peque por defeito, pois só menos de metade dos ACES respondeu a esta questão", frisa.

Entre os que mais disseram ter falta de carros estão os ACES Dão Lafões (23), Lisboa Ocidental e Oeiras (14), Barlavento (13) e Guarda (13). "Os centros de saúde estão impedidos de adquirir viaturas. É uma restrição imposta desde 2010 e que se tem perpetuado, com uma ligeira alteração. Inicialmente exigia-se o abate de três viaturas para a compra de uma nova e agora são duas abatidas para a aquisição de uma. Esta restrição tinha a lógica da poupança, mas o que gera é muito desperdício", diz Moisés Ferreira, que falou do tema na última comissão de saúde. Em resposta, o ministro da Saúde disse na altura acreditar que com a descentralização, atribuindo esta resposta ao poder local, tornaria mais ágil a resposta.
 
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