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sexta-feira, 17 de março de 2017

Médicos e farmacêuticos exigem restrições a anúncios de suplementos com cálcio

Saúde pública


PRODUTOS-MILAGRE?

RELEMBRA-SE O QUE  AS ORDENS DOS MÉDICOS E FARMACÊUTICOS RECOMENDAM A PROPÓSITO DOS SUPLEMENTOS ALIMENTARES (CALCITRIN, COGUMELOS DO TEMPO, MANGOSTÃO...)
 Ordens alertam que consumo sistemático dos produtos pode aumentar risco de obstipação e de pedra nos rins
As Ordens dos Médicos (OM) e dos Farmacêuticos (OF) juntaram-se para travar uma cruzada contra a
publicidade aos suplementos de cálcio. Numa declaração conjunta ontem divulgada, os bastonários das
duas ordens pedem ao Ministério da Saúde que imponha “regras mais restritivas” à publicidade dos “alegadamente” considerados produtos dietéticos e suplementos alimentares e lembram que já denunciaram à Entidade Reguladora da Saúde as práticas publicitárias “enganosas”  aos suplementos de cálcio.

Sublinhando que estes produtos devem ser utilizados “com aconselhamento prévio de profi ssionais de saúde”, os bastonários José Manuel Silva (OM) e Maurício Barbosa (OF) alertam que o seu consumo sistemático pode aumentar o risco de obstipação e transtornos gastrointestinais, doenças cardiovasculares e pedras nos rins. Por isso fazem este apelo ao ministério, “em defesa da Saúde Pública”.

“As necessidades de suplementação variam de pessoa para pessoa e dependem da sua condição de saúde ou doença, lembram, alertando que uma quantidade elevada de cálcio ou vitamina D até “poderá ser prejudicial à saúde em muitos indivíduos”. Na população em geral, os benefícios da suplementação com cálcio e vitamina D “não estão cientificamente estabelecidos”.
Em vez de práticas de suplementação, explicam, o que se recomenda é a adopção de uma alimentação equilibrada e um estilo de vida saudável.“Uma alimentação variada proporciona a quantidade de cálcio necessária ao organismo humano e a simples exposição de braços e pernas ao sol durante 20 minutos por dia, entre Abril e Setembro, permite obter a dose de vitamina D necessária para todo o ano”, especificam.

O comunicado conjunto surge depois de a Ordem dos Farmacêuticos ter interposto na sexta-feira uma providência cautelar no tribunal cível da Comarca de Lisboa reclamando a suspensão imediata dos anúncios ao suplemento alimentar Calcitrin MD Rapid, com o argumento de que lesam o direito à saúde. Uma fonte da OF explicou então que foi o anúncio em que a actriz Simone Oliveira dá a cara pelo Calcitrin, sugerindo que seja oferecido como prenda de Natal, que funcionou como a gota de água que levou a Ordem a avançar para uma acção mais drástica. 

Mais tarde, o Infarmed, autoridade que regula o medicamento, recomendou que não sejam utilizados produtos contendo cálcio para a prevenção ou tratamento de doenças e adiantou que tem em curso acções de fi scalização à conformidade destes produtos no mercado, em conjunto com a ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica).

A empresa que comercializa o Calcitrin há seis anos, a Viva Melhor Comércio Internacional Lda, mostrou-se disponível “para corrigir o que se prove ser inadequado às finalidades anunciadas”, mas garantiu que não teve até à data “qualquer queixa dos consumidores”. 
por: Alexandra Campos
 21-12-2015

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