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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Apneia obstrutiva do sono aumenta risco de desenvolver outras patologias

 
por: Joaquim Moita, coordenador do Centro de Medicina do Sono do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e presidente da Associação Portuguesa de Sono (APS)  

04-05-2017
Entrevista
Apneia obstrutiva do sono aumenta risco de desenvolver outras patologias
 
A síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) está, muitas vezes, relacionada com o desenvolvimento de outras patologias, como a obesidade, a doença coronária, depressão, diabetes mellitus, entre outras. Em entrevista ao Vital Health, Joaquim Moita, coordenador do Centro de Medicina do Sono do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e presidente da Associação Portuguesa de Sono (APS), explica os sintomas e tratamento desta síndrome.
 
 
Vital Health (VH) | A SAOS afeta entre 10 a 12 % da população adulta, a partir dos 40 anos de idade. Quais as razões desta incidência?
Joaquim Moita (JM) | A obesidade, cuja prevalência é de 15% em Portugal, é apontado como principal fator de risco para desenvolver SAOS.
Outra causa, menos conhecida é a presença de alterações anatómicas a nível da via aérea e da face. Surgem na criança, e nessa altura muitas podem ser corrigidas. Um sinal importante é o ressonar persistente na criança. Nunca é benigno e deve motivar uma consulta médica.

VH | Quais os sintomas associados à apneia obstrutiva do sono?
JM | O mais comum é o ressonar. No entanto é pouco específico da doença. A maioria dos ressonadores adultos não têm SAOS. O ressonar crónico deve, contudo, ser sempre investigado e o SAOS excluído. A intensidade do ressonar é influenciada pelo consumo de álcool, utilização de benzodiazepinas, excesso de peso e decúbito dorsal.
A apneia do sono, ao contrário do ressonar é altamente especifica da doença, mas pouco sensível. Geralmente é descrita por outra pessoa e, quando sentida pelo doente, o que felizmente acontece raramente, é descrita como uma sensação de asfixia e angústia.
A insónia é frequente, mais na mulher, e difícil de corrigir mesmo com o SAOS tratado.
A nictúria, que resulta do impacto na bexiga dos movimentos toraco-abdominais e da diminuição da produção da hormona antidiurética está associa à gravidade da SAOS.
Os principais sintomas diurnos são: noção de sono pouco reparador e cefaleias ao acordar, hipersonolência, défices cognitivos e da memória, alteração do humor, disfunção eréctil e diminuição da libido.
As manifestações das comorbilidades cardiovasculares e metabólicas são frequentes.

VH | Qual a relação entre a privação do sono e o desenvolvimento de doenças coronárias?
JM | A privação de sono está associada a aumento da atividade simpática e esta à doença coronária. No caso do SAOS devemos ainda contar com a hipóxia, stress oxidativo e inflamação como mecanismos geradores ou agravantes de toda a patologia cardiovascular.

VH | A apneia obstrutiva do sono está relacionada com outro tipo de patologias? Se sim, quais?
JM | Sim(...)
 
  SAOS

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