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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Mais de 246 mil portugueses estão sem bens para pagar dívidas

Dívidas incobráveis atingem máximo histórico de 4,8 mil milhões de euros, 3% do PIB. Maior fatia de devedores são particulares que não pagaram dívidas à banca, a fornecedores, água e luz, entre outras.

Rafael Marchante/Reuters
 
São milhares os devedores crónicos que estão na lista pública de execuções (LPE), que permite detetar situações de incobrabilidade de dívidas e prevenir ações judiciais inúteis, evitando processos artificialmente vivos por falta de bens penhoráveis. Nesta situação estão 246.575 particulares e empresas que não pagaram dívidas a fornecedores, instituições financeiras (banca e seguros), crédito ao consumo, arrendamentos ou a empresas de serviços públicos essenciais (água e luz) e telecomunicações. 

Os dados revelados ao Jornal Económico pelo Ministério da Justiça mostram que, desde que a LPE foi criada, as dívidas incobráveis somam perto de cinco mil milhões de euros e este ano representam já uma média de quatro milhões de euros por dia, num total de 531 milhões de euros até maio. 
 
 O número de devedores particulares é superior ao das empresas. Uma inversão que ocorreu a partir de 2011, justificada, na altura, pelo aumento do desemprego, já que se no passado era mais fácil capturar rendimentos das pessoas singulares, através da penhora de salários, do que das empresas, que não têm – de forma mais facilmente perceptível – bens móveis penhoráveis (rendimentos ou contas bancárias).

A grande maioria (74%) dos mais de 246 mil devedores crónicos da LPE refere-se a particulares: 182.979. Os restantes 63.596 registos referem-se a empresas. A inclusão na lista destes mais de 246 mil nomes deve-se na esmagadora maioria (218.027 devedores) à inexistência de bens penhoráveis, sendo que uma diminuta parte dos devedores (28.548) foi incluída na LPE devido a pagamento parcial de dívidas.
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