[ Director: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano X

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Valha-nos Nossa Senhora de Fátima


08/05/2017
por: António Ribeiro Ferreira
Opinião
António Ribeiro Ferreira
 
Juros brutais até 2020, corte nas compras do BCE e aumento permanente da dívida pública são os sinais óbvios da tragédia. Costa já tem vacas voadoras. Venham de lá mais milagres.
É verdade. Anda tudo muito contente a gastar à fartazana, o défice é ótimo, a economia voa como as vacas do Costa, as exportações e o turismo batem recordes há pouco tempo inimagináveis, os sindicatos piam muito baixinho, o Presidente da República anda feliz e o primeiro-ministro está tão cheio de si próprio que até se dá ao luxo de ser mal-educado e arrogante. O pior, como de costume, é o resto.

E este resto, sempre muito escondido aos portugueses, chama-se dívida pública. Sim, a dívida que permitiu e permite aos portugueses viverem acima das suas possibilidades e que a esquerda não quer pagar.

Sim, a dívida que não para de subir para a geringonça garantir os défices históricos e as despesas camufladas do Estado. Sim, a dívida que PS, Bloco e PCP andam agora a discutir a todo o vapor, com grupos de trabalho e relatórios que mais não são do que guiões para a tragédia em vários atos que será estreada com pompa e circunstância neste pobre país pelos medíocres do costume, que se especializaram há muito tempo em falências e bancarrotas.

Vamos então às notícias com a devida vénia aos seus atores. Portugal vai continuar a ser o país do euro com o maior nível de riqueza hipotecada pelos juros da dívida pelo menos até 2020. Este cenário tem sido constante desde, pelo menos, 2015, e assim continuará nos próximos quatro anos. E, por ter os juros mais altos da zona euro, os contribuintes nem sentem que já têm das contas públicas em melhor estado de toda a região – isto se por “melhor estado” considerarmos o saldo primário (sem contar com juros): as contas portuguesas vão ter excedentes primários e acima de quaisquer outras nos quatro anos até 2020. Estupendo. Excedentes primários ótimos conseguidos com inevitáveis e inteligentes cortes no investimento público e a sempre oportuna tesoura de Centeno na aplicação de cativações aos organismos do Estado.
(...)

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