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terça-feira, 6 de junho de 2017

Alterações climáticas já estão a ter efeitos na saúde dos portugueses

Sara Sá 
por: Sara Sá

Jornalista

Os problemas respiratórios, cardíacos e as doenças infecciosas aumentam com a subida da temperatura média. O combate aos gases com efeito de estufa é também uma questão de saúde, alertam especialistas em Medicina Interna

© Rentsendorj Bazarsukh / Reute

O clima mudou, continua a mudar, mas a maior parte de nós continua a enfiar a cabeça na areia, alheado de uma realidade bem expressa em dados: 2016 foi o ano mais quente desde que há registo; a Organização Mundial de Saúde estima que todos os anos morram 150 mil pessoas por causa das alterações climáticas; atualmente, 96% do território nacional está em situação de seca e só na onda de calor de 2013 morreram 1 700 portugueses por problemas de saúde relacionados com a temperatura extrema.

Num inquérito feito aos especialistas em Medicina Interna, 90% deles afirmou que "as alterações climáticas já estão a ter efeitos na saúde dos portugueses", revela à VISÃO o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), Luís Campos. As doenças respiratórias são as mais referidas pelos médicos portugueses, sendo os grupos mais frágeis, como os idosos, as crianças ou os que vivem em piores condições de habitação ou alimentares os que mais sofrem. A nível mundial, têm vindo a aumentar os AVC, a doença coronária, a bronquite crónica, as doenças infecciosas, e ainda as patologias relacionadas com a qualidade da água, como a cólera, ou as que são transmitidas por mosquitos, como a malária e o dengue. Também aumentam as vítimas de catástrofes naturais, como as cheias ou os furacões, os problemas mentais em pessoas obrigadas a emigrar.

Por altura do Dia Mundial do Ambiente, celebrado a 5 de junho, a Sociedade alertou médicos e sociedade em geral para os problemas relacionados com a subida da temperatura média, reforçando o papel de cada um de nós.

Também é objetivo das SPMI que a atenção ao ambiente comece nos próprios hospitais. "Os hospitais são responsáveis pelo consumo de 11% da eletricidade e 18% do gás natural. São ainda produtores de 108 mil toneladas de resíduos", avança Luís Campos. "O combate às alterações climáticas deve ser uma prioridade e o setor da saúde devia dar o exemplo", sublinha o médico.
 
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