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segunda-feira, 5 de junho de 2017

Banca da zona euro é dominada pelo setor público e pouco transparente


ESTUDO

BCE
por: Filipe Paiva Cardoso
 
 05.06.2017
 
 
Entre os 100 maiores bancos do euro, mais de 40% estão em mãos públicas, sobretudo dos alemães, e mais de 60% sofrem intereferências políticas 
 
Sede BCE 
Foto: DR
 
 
As posições públicas na Caixa Geral de Depósitos (CGD) e no Novo Banco são apenas uma pequena gota numa região onde o setor financeiro é, afinal, dominado por participações estatais. Entre os quase 100 bancos europeus considerados “instituições significativas”, os supervisionados pelo Banco Central Europeu, mais de 40% estão em mãos públicas, sendo esta a fatia mais representativa entre as diferentes formas de controlo em que os bancos se dividem. 
 
A conclusão surge de um levantamento feito por Nicolas Verón, investigador senior do think tank europeu Bruegel, e responsável pela avaliação ao FMI que arrasou a supervisão do Banco de Portugal à banca. “Os decisores europeus e os analistas tendem a partir do princípio que a maioria dos bancos são entidades cotadas, com estruturas dispersas entre vários investidores”, começa por referir o autor. E o seu trabalho, agora publicado, mostra precisamente o contrário e até mais: Além do predomínio público, Verón aponta que não mais de 35% dos bancos da região devem ser vistos como instituições transparentes. 
 
“Os bancos cotados, com acionistas diversificados, são a exceção em vez da regra entre os bancos mais significativos do euro”, diz o autor. É que além das instituições detidas por fundos, fundações, cooperativas ou privados com mais de 50% do capital, também os bancos controlados pelo setor público entram no seu leque de bancos opacos, limitando a uma expressão reduzida os que podem ser vistos como transparentes. 
 
“A maioria destes bancos significativos são detidos por governos ou cooperativas, ou influenciados unicamente por um acionista ou alguns investidores com grandes participações ou de qualquer outra forma propensos a sofrer influências políticas diretas”, refere no trabalho. E o resultado deste tipo de controlos é apenas um: “A transparência pública de muitos bancos é reduzida”, algo que influencia negativamente o grau de respeito pela disciplina de mercado, a rentabilidade e a atração de capital, sintetiza. “Tendem a correr riscos desnecessários à conta de interferências políticas”, acrescenta. 
 
Governo alemão tem 45% da banca 
 
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