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terça-feira, 6 de junho de 2017

Banco de Portugal diz que particulares estão a poupar menos

Banco de Portugal diz que os particulares estão a poupar menos, numa tendência que poderá explicar-se com uma menor tendência para poupar por precaução. Em contrapartida, a dívida financeira dos particulares continua a diminuir.


A poupança interna manteve-se estabilizada em 2016, em 15% do Produto Interno Bruto (PIB), referiu o Banco de Portugal no seu Relatório de Estabilidade Financeira, hoje divulgado. Este valor fica abaixo da média da zona euro, que é de 24%, num contexto de baixas taxas de juro, crescimento moderado da economia e elevados níveis de confiança dos consumidores, refere o supervisor. E a poupança dos particulares está a diminuir. 

Segundo o REF, a capacidade de financiamento dos particulares foi de 1,2% do rendimento disponível em 2016, menos 0,3 p.p. que no ano anterior. E a poupança dos particulares registou o valor mais baixo desde o início da atual série, com 4,4% do rendimento disponível em 2016, o que poderá refletir “uma diminuição do aforro por motivos de precaução”, numa altura em que muitas pessoas sentem que a crise ficou para trás. 

Por outro lado, apesar de um aumento dos fluxos brutos de novos empréstimos à habitação e ao consumo, continuou a verificar-se em 2016 uma redução da dívida financeira dos particulares, destaca o BdP. Desde 2011, a dívida dos particulares em percentagem do rendimento disponível diminuiu 21 pontos percentuais, para os 110% do rendimento disponível verificados no final de 2016. Apesar da descida, continua a ser quarta mais elevada da zona euro, atrás da Holanda, Chipre e Irlanda.

O supervisor salienta que a economia portuguesa tem apresentado capacidade de financiamento, desde 2013, com níveis de poupança e investimento positivos e um saldo positivo das transferências de capital. Em 2016, a capacidade de financiamento da economia foi de 1,5% do PIB, mais 1,2 pontos percentuais que em 2015, mas a posição de investimento internacional da economia portuguesa é ainda uma das mais negativas da zona euro, lembra o BdP.

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