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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Cartas de condução. Estado só tem 41 examinadores para todo o país

Segunda-Feira - 26 de junho de 2017
 Fundado em 29 de dezembro de 1864

A falta de examinadores nos centros do Estado agravou-se com a aposentação de muitos deles e o impedimento de contratar novos.

No centro de exames de Setúbal do IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes) há candidatos que estão à espera desde abril pela marcação do exame de condução. É o caso de Tiago, 18 anos, que só na sexta-feira foi, finalmente, notificado de que o teste que o habilitará a ser condutor ficou marcado para os primeiros dias de julho. "Na escola de condução explicaram-me que só há um examinador para o distrito de Setúbal e que só não há problemas no Barreiro", contou.

No Barreiro há um centro privado de exames de condução a que os candidatos de Setúbal podem recorrer, e até fazer a prova no espaço de duas semanas a partir da inscrição, mas é uma alternativa pouco agradável para quem se treinou ao volante nas ruas de outra cidade. Há colegas de Tiago que estão na mesma situação, segundo contou. O jovem acrescentou ainda que, dado o atraso com que foi marcado o exame, acabou por ter custos acrescidos, com que não contava, porque teve de comprar mais três aulas de condução para "desenferrujar" dos três meses que esteve parado e que lhe custaram mais de 60 euros.

O problema de Setúbal é extensível a outros 18 centros do IMT, localizados nas capitais de distrito (com exceção ao vigésimo, o de Sobral de Monte Agraço), uma vez que há uma reconhecida falta de examinadores no Estado. "Nos últimos anos, a administração pública não tem tido permissão para recrutar trabalhadores externos à própria administração e os que exercem a atividade de examinação têm vindo a aposentar-se por terem atingido a idade para o efeito", admite, em resposta escrita ao DN, o Instituto da Mobilidade e dos Transportes.
"Neste momento, o IMT dispõe, nos seus 20 centros de exames públicos, de 41 trabalhadores que exercem a atividade de examinador. Os distritos com maior pressão, seja devido à quantidade de exames realizados seja pelo efeito de aposentação já mencionado, são os de Bragança, Leiria, Lisboa, Setúbal, Santarém e Faro." Já no privado o problema não se coloca mas as taxas que os examinandos pagam são mais caras. "Embora não tenham sido aprovados e autorizados novos cursos de formação de examinadores, não existe carência de pessoal habilitado para exercer a atividade em centros de exames privados", garante o IMT.
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