“Quando se diz que mais vale fumar um charro de vez em quando do que cigarros, isto significa que algo está em marcha para passar uma mensagem. São ideias falseadas, mas que são muito difíceis de negar. Muito complicado, porque mesmo com dados e evidências não se consegue”, observou Jesus Cartel, coordenador científico da Clínica do Outeiro.

“As redes sociais estão a ser utilizadas para passar publicidade e fazer ‘marketing’ sobre o uso benéfico de drogas para o tratamento de doenças com resultados positivos para a saúde”, alertou por seu lado João Curto, presidente Associação Portuguesa de Adictologia, uma opinião partilhada por Jorge Barbosa, coordenador do Centro de Respostas Integradas Porto Oriental, do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos, durante um debate que decorreu na cidade do Porto.

Os especialistas referem ainda que os narcotraficantes utilizam ‘blogues’ para passarem a mensagem e aproveitam também a Internet para vender “canabinoides sintéticos”.

No âmbito da política atual para os comportamentos aditivos estão a ser discutidas três políticas, designadamente a reorganização de um serviço nacional, vertical e especializado na área dos comportamentos e dependências, a legalização da ‘cannabis’ e a implementação de salas de consumo assistido, explicou Jorge Barbosa, lamentando a extinção do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) e por um retrocesso na articulação para a prevenção.