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terça-feira, 6 de junho de 2017

Recuperação do imobiliário cria novo risco para os bancos

Banco de Portugal

Autor:
João Cândido da Silva

A recuperação do setor imobiliário e a aceleração do ritmo de crescimento da economia podem relaxar as condições de concessão de crédito, diz o Banco de Portugal.
ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Os bancos tendem a relaxar as condições na concessão de crédito quando a economia se encontra na fase ascendente do ciclo, como sucede atualmente em Portugal, e é nestas fases de aceleração do crescimento que se criam as condições para a crise seguinte. Esta é a análise dos técnicos do Banco de Portugal que, no relatório semestral de junho de 2017 sobre a estabilidade financeira, divulgado nesta terça-feira, identificam este como um dos riscos que pendem sobre a banca que opera no mercado nacional.

A recuperação da economia, a subida dos preços do imobiliário residencial, que o Banco de Portugal considera estarem “de acordo com o justificado pelos fundamentos”, e a pressão da concorrência geram oportunidades e têm permitido a melhoria no setor financeiro que é sublinhada pelo banco central, mas estes fatores podem levar os bancos a incorrer em novos riscos. A exposição da banca ao setor imobiliário tem diminuído, o que é visto como positivo pelo Banco de Portugal, mas o seu peso sobre o total dos ativos das instituições financeiras cresceu em 2016, já que a redução dos balanços dos bancos se registou a um ritmo mais acelerado.

“Num cenário de aumento das taxas de juro”, assinalam os técnicos do Banco de Portugal, a qualidade do crédito das instituições financeiras “poderá ser negativamente afetada”, efeito que será mais acentuado no caso de o ritmo de crescimento no país não acompanhar aquele que se fizer sentir na zona euro. Uma subida do preço do dinheiro é um cenário admitido como possível em consequência de uma “normalização” da política monetária nos Estados Unidos, com alterações nas taxa de juro de referência.

À “concentração” de crédito no risco do setor imobiliário, soma-se uma exposição “elevada” à dívida pública, num contexto em que o Banco de Portugal considera que “a natureza dos riscos para a estabilidade financeira praticamente não se alterou” em comparação com análise feita em novembro de 2016. “É essencial persistir na redução sustentada da dívida pública”, avisa o banco central, através de uma “trajetória de consolidação orçamental”, já que “subsiste uma forte interligação” entre o sistema financeiro e o soberano doméstico.
 
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