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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Gordura, buracos, musgo e caos. O lado invisível dos restaurantes

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Óscar Daniel




Reportagem
por: João Carlos Malta , Inês Rocha (vídeo)
03.Jul.2017

A ASAE fecha, em média, um restaurante por dia, por falta de condições. A Renascença acompanhou uma ronda da ASAE pelos restaurantes do Porto, que acabou com dois processos-crime e um restaurante fechado.
Dentro de uma inspecção da ASAE: o lado invisível dos restaurantes
 
“Muito boa tarde. Inspector Sousa e Silva, da ASAE. Vamos proceder a uma inspecção do estabelecimento”. A entrada da equipa da Autoridade da Segurança Alimentar e Económica num restaurante do centro do Porto ocorre logo depois da hora de almoço.

O dono fica visivelmente nervoso com a presença dos dois inspectores. Mas responde cordialmente: “Façam favor”. De seguida, em jeito de aviso, descai-se. “Sabe que a esta hora isto está tudo de pantanas”.

Sousa e Silva, vendo a preocupação do proprietário, garante que vai saber separar aquilo que é resultado do trabalho para os almoços que acabaram de ser servidos e o que é fruto do descuido e negligência. “É a melhor hora”, garante.

A sala comprida, com três ou quatro mesas preenchidas, fica para trás, Sousa e Silva e a colega Alexandra Teiga passam um longo balcão onde se vêem ainda os restos das refeições e passam uma porta castanha com uma pequena janela a meio. A cozinha fica à mercê dos olhos dos inspectores.
A visão não é o sentido inicialmente sugestionado. A primeira golfada de ar é pesada e parece trazer fritos agarrados. Uma olhadela pelas paredes permite encontrar vários avisos ligados a higiene. Num papel protegido por um plástico cheio de gordura, lê-se que “o óleo da fritura deve ser renovado regularmente”.
(...)

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