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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A banca em Portugal já voltou a dar dinheiro?

 "A vida não está nada fácil", dizia um banqueiro em 2014, queixando-se da taxa extraordinária sobre o setor. Três anos depois, as queixas continuam. 

 
A vida não está nada fácil“, dizia Luís Mira Amaral, em finais de 2014, na altura presidente do BIC, acusando o Governo de (então) “tentar sacar dinheiro onde lhe for possível“. Tinha acabado de ser aumentada a contribuição extraordinária pedida ao setor bancário e os banqueiros criticavam a medida porque a banca, em Portugal, era uma atividade que não dava dinheiro — isto é, lucro. Hoje, os bancos continuam a queixar-se do peso das contribuições para o Orçamento do Estado e para os fundos de resolução, mas o setor vive um momento bem diferente de finais de 2014. Ainda assim, a vida continua a ser tudo menos fácil.

Os principais bancos a atuar em Portugal apresentaram resultados do primeiro semestre de 2017 e, “apesar de existirem algumas tendências que são comuns a todos, ainda é claro que as diferentes instituições vivem em circunstâncias específicas a uns e não as outros”, diz um analista do setor ouvido pelo Observador.

“Não haver notícias é uma boa notícia”, escreveu um analista do CaixaBI sobre os resultados semestrais do banco liderado por Nuno Amado.

O Millennium bcp, maior banco privado português, registou lucros líquidos de 89,9 milhões de euros (contra os prejuízos de quase 200 milhões de euros no mesmo período do ano anterior). Este é o valor que fica para o registo contabilístico, mas o banco e os analistas destacaram que, se excluirmos o esforço que o BCP continua a fazer no registo de imparidades (respaldado pelo aumento de capital que permitiu a entrada dos chineses da Fosun no banco), o banco liderado por Nuno Amado melhorou em 28% a sua atividade recorrente.

Ou seja, se somarmos as comissões cobradas e a margem financeira (a diferença entre o que o banco paga para se financiar, através de depósitos, por exemplo, e o que recebe pelos juros que cobra) e a esse total subtrairmos os custos operacionais chegamos a um resultado core de 558,6 milhões. O problema é que vêm, depois, 415 milhões de euros em lucros colocados de lado, na forma de imparidades, para cobrir perdas com créditos em risco e outras exposições não rentáveis. O número representa, ainda assim, metade dos 816,6 milhões assumidos como perda (imparidades e provisões) no mesmo período do ano anterior.
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