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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Editaram um gene das formigas e elas ficaram anti-sociais


Com a nova técnica de edição genética, a CRISPR, dois grupos de cientistas bloquearam um gene que é essencial para o funcionamento dos receptores de odores nas formigas. Sem esta “peça”, os animais deixaram de conseguir comunicar.
Foto: Formigas-biroi obreiras marcadas com cores para que se seguissem os seus comportamentos individuais
Daniel Kronauer/Universidade Rockefeller
Formigas-biroi obreiras marcadas com cores para que se seguissem os seus comportamentos individuais
Quantos de nós já não ficámos uns segundos intrigados a observar tamanha capacidade de coordenação e organização das formigas num carreiro? Mesmo que nunca o tenha feito, a verdade é que, para os cientistas, as colónias de formigas são um óptimo modelo para estudar comportamentos sociais e explorar as suas bases genéticas e complexos sistemas biológicos. Estudar formigas não é tarefa fácil mas a nova técnica de edição de genes, a CRISPR, pode ser uma ajuda preciosa. Dois estudos diferentes publicados na revista Cell esta quinta-feira contam experiências muito semelhantes que mostram como usaram a técnica CRISPR/Cas9 para “apagar” um gene especial nas formigas e como isso afectou o seu comportamento.

Para comunicar, as formigas enviam sinais químicos mediados por feromonas. É assim que sabem para onde ir, como se alimentar e o que fazer na sua colónia. E há muita coisa para comunicar neste pequeno mundo disciplinado de castas onde podem existir rainhas, machos alados, obreiras e soldados, todos com funções e tarefas bem definidas.
Já se sabia que as formigas usavam as feromonas para comunicar mas ainda há muito por esclarecer quanto aos mecanismos, receptores e emissores, que estão por detrás destas “conversas”. Sabíamos também que o envio de sinais químicos estava dependente do olfacto e que as minúsculas formigas carregam um total de 350 genes para vários receptores de odores. E se os apagássemos? O comportamento social das formigas mudaria sem estes receptores que são uma base importante da comunicação? Dois grupos de cientistas testaram este cenário à procura de algumas respostas.

Como? Usando a CRISPR/cas9, que foi desenvolvida em 2012 e permite cortar e colar pedaços de ADN com grande precisão, ou seja, fazer a “edição” do genoma. Ainda na semana passada foi notícia a aplicação desta técnica a embriões humanos, para corrigir um gene responsável por uma doença cardíaca hereditária. Desta forma, apagou-se a mutação genética do ADN dos embriões humanos.

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