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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Episódio 3. "Guterres, ou tu ou eu!", ameaça Trump

Quarta-Feira - 02 de agosto de 2017
 Fundado em 29 de dezembro de 1864
Portugal

Documentos secretos acariciaram Trump no sentido natural do seu pelo: dinheiro! Ele convenceu-se de que a sede da ONU está sobre terrenos dele... Em breve ele irá dizê-lo no Twitter, mas os leitores do DN já podem saber: Guterres vai virar refugiado...

Nova Iorque, 9 de julho, 14.20. Donald Trump agarrou nas folhas que a filha lhe estendeu. A leitura foi fácil porque Emmanuel Macron, ou alguém por ele, era hábil condensador do essencial, como cabe a um banqueiro d"ffaires. As páginas tinham linhas curtas, a cores como as de um mapa do tesouro.

Em dados recolhidos por advogados e financeiros, Trump viu o seu passado contado, tal como o cidadão Kane na hora da morte vislumbrou o trenó Rosebud da infância. Só que não era a nostalgia que era convocada para os dourados e as colunatas de mármore da Trump Tower, no 66.º andar da Quinta Avenida. O salão, já de si saturado como o pulso de um cantor de rap, foi invadido por ganância pura. E essa, nos papéis, estava devidamente contabilizada.

"Ele sabe do que fala?", perguntou Trump à filha. Ela respondeu: "Deve saber. Antes de se meter na política, o presidente Macron trabalhou em fusões e compras da banca Rothschild e eles andam há séculos a esmiuçar os grandes negócios..." Trump demorou-se a olhar as fotocópias dos registos de propriedade da Câmara de Nova Iorque. O primeiro dos Trump na América, o alemão Friedrich, comprara os sete hectares onde hoje está a ONU, e isso estava documentado. Mas morreu sem saber o que fazer com aqueles terrenos... O filho, Fred, já de nome americanizado, herdou--os e ficou com a mesma dúvida. Mas o facto é que nos serviços de registo de New York City não houve mudança de dono nos últimos cem anos. Nenhuma! Houve, isso sim, como mostravam as fotocópias, negócios com aqueles terrenos, feitos por terceiros.

Trump leu um nome: William Zeckendorf. Lembrou-se da vaidade que sentiu quando um artigo do The New York Times, em 1983, lhe chamou "herdeiro de Zeckendorf", um dos construtores históricos de Manhattan, dono do edifício Chrysler, e que morrera falido poucos anos antes. Nesse artigo, Donald Trump era citado dizendo de si próprio: "Não muitos filhos vão além do destino do seu pai."
 
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