[ Director: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano X

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Há moscas como nunca na Comporta e a culpa é do estrume




por :Carlos Dias

2.Agosto.2017


O uso de estrume proveniente de aviários na adubagem de quase 600 hectares de hortícolas na zona da Comporta está a transformar o dia-a-dia das daqueles que moram em Alcácer e Grândola num “flagelo”.

 

O recurso a estrume de aves para fertilizar os quase 600 hectares de solo arenoso na herdade de Monte Novo do Sul, na Comporta, propriedade da empresa Cropinvest — Agrícola, foi o elemento catalisador de uma praga de moscas que está a transformar “num inferno” o dia-a-dia da população residente e visitantes dos concelhos de Alcácer do Sal e de Grândola. As queixas não são de hoje mas este ano parece estar particularmente profícuo em mosquedo.

É, sobretudo, no sector da restauração que mais se sente o impacto da proliferação de moscas, como é o caso do Restaurante “A Folha”, na Comporta. “Durante o dia é insuportável. Temos sempre a sala das refeições cheia de moscas”, contam. E por mais esforços e medidas que se tomem, “não se consegue evitar que os clientes sejam incomodados”, refere uma funcionária do estabelecimento.

Também no aldeamento turístico da Herdade de Montalvo, as consequências desta praga têm um impacto acrescido dada a sua proximidade ao local onde está a ser depositado o estrume. “Estamos a ter mais moscas que em anos anteriores e o cheiro é pestilento”, garante Vera Piriquito, uma das responsáveis do empreendimento, referindo que esta situação já começou a sentir-se no Verão passado mas está agora a repetir-se “com uma intensidade muito maior”.

Na freguesia vizinha do Carvalhal, o cenário não é diferente. “As nuvens de moscas são uma coisa louca”, comenta Luísa Donatilia, acrescentando que a praga incomoda as pessoas “dia e noite”. Mas apesar do problema persistir há mais de um mês, “poucos conhecem a sua causa”, refere, por sua vez, Emília Gonçalves, residente na Comporta, adiantando ao PÚBLICO que as moscas “são tantas que nem permitem usufruir da tranquilidade de uma esplanada”.

()

Sem comentários: