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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Introdução de portagens nas SCUT afastou emprego e empresas

Conjuntura

Contas feitas, perderam-se 16 empresas e 218 empregos por cada um dos 59 concelhos atravessado pelas SCUTS. Esta é uma estimativa dos custos económicos da introdução de portagens em 2010 e 2011.
Bruno Simão
Introdução de portagens nas SCUT afastou emprego e empresas   
Rui  Peres Jorge
 
por: Rui Peres Jorge 
 
17 de agosto de 2017
 
A introdução de portagens nas SCUTS bara baixar  défice orçamental não significou só mais despesa para os utilizadores destas autoestradas; também impôs outros custos económicas de médio e longo prazo, em particular para os dos municípios servidos por estas ligações rodoviárias. Um recente estudo publicado no "think tank" alemão Ifw conclui que a introdução de portagens em 2010 e 2011 destruiu, em média, 16 empresas e 218 empregos em cada um dos 59 concelhos atravessados pelas SCUTS.

"No contexto português, as portagens nas auto-estradas tiveram efeitos negativos claros no número de empresas e na expansão do emprego", lê-se na conclusão do artigo "Do Toll-free Highways foster firm formatoin and employment growth?", onde se acrescenta que, face a estes resultados, "a introdução de portagens em auto-estradas que antes eram grátis – o que pode ter sido inevitável por razões orçamentais no curto prazo – parece impor um custo substancial  à economia portuguesa no longo prazo", escrevem David Audretsch, Dirk Dohse e João Pereira dos Santos, que analisam os impactos nas economias municipais em 2013.

Para chegarem às conclusões, os autores comparam o número de empresas e empregos em 278 concelhos nacionais no período compreendido entre 2007 e 2013, distinguindo entre o antes e depois da introdução de portagens (que ocorreu entre Outubro de 2010 e Dezembro de 2011), e comparando os concelhos que são e os que não são atravessados por SCUTS. Na análise procuram ainda diferenciar os resultados por vários sectores de actividade e dimensão das empresas.

Para garantir que identificam os efeitos específicos das estradas, os três economistas levam também em conta os efeitos de outras variáveis que influenciam a criação de empresas e emprego como a densidade populacional, a percentagem de população em idade de trabalho, o desemprego regional e o ciclo económico municipal, medido por um índice de vendas; ou, na frente política e institucional, as taxa de imposto municipal, a longevidade do presidente da Câmara e a coincidência entre a cor política do presidente da Câmara e a do partido de Governo.

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