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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Comida saudável. O que nos dá saúde está a matar o planeta

por: Marta Cerqueira
22/09/2017
 
De repente, todos queremos comer a quinoa do Peru, a curgete em forma de esparguete ou substituir a carne de porco da feijoada por grãos de soja bem temperados. Pode ser melhor para a saúde - e até isso não é consensual -, mas a verdade é que o aumento do consumo generalizado deste tipo de alimentos levanta questões sobre a produção que, num ápice, teve de passar a alimentar o mundo inteiro



Quinoa 



A quinoa é tão banal no Peru e na Bolívia como o arroz em Portugal. O aumento da procura deste superalimento veio, por um lado, injetar capital nestes países produtores mas, por outro, aumentar os preços do produto final. Passou assim a estar disponível em todo o mundo, mas empurrou as pessoas que o produzem para fora do mercado, uma vez que deixaram de ter dinheiro para comprar o produto que sempre fez parte das refeições diárias. Em 2013, o Departamento Agrícola norte-americano avançou que as exportações mundiais de quinoa do Peru aumentaram mais de 750% desde 2007, atingindo um total de 12 mil toneladas exportadas em 2012.

Em Portugal, já é possível encontrar esta semente em quase todos os supermercados e já são muitos os restaurantes a ter pelo menos um prato que tem por base quinoa. Agora, até é possível comprar este produto com selo nacional. Em Barcelos, começou recentemente a produzir-se quinoa, com a garantia de que tem 15 gramas de proteínas, quantidade superior à encontrada na soja, no trigo, no arroz e na aveia.

Abacate

Em batidos, às fatias, barrados em tostas, em forma de guacamole ou simplesmente à colherada. Há mil formas de comer abacate e todas parecem fazer sucesso. É vê-lo estampado em t-shirts, a servir de porta-chaves e a compor o menu de restaurantes que, há uns anos, provavelmente nem conheciam este fruto. Apesar de ser rico em gordura, fala-se aqui de calorias “do bem”, palavras mágicas para quem não quer ganhar peso nem perder o sabor rico dos alimentos. Problema? A procura por abacate está a encarecer o fruto, o que, por sua vez, tem aumentado a criminalidade em países como o México e a Nova Zelândia. Desde assaltos a plantações até cartéis que obrigam os donos das terras a darem uma percentagem dos lucros, há de tudo. Mas se isto não for suficiente para pensar duas vezes antes de enfiar o nacho na tigela de guacamole, deixamos um número perturbador: para produzir um quilo de abacate são precisos cerca de 250 litros de água.

Legumes

  
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