[ Diretor: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano XII

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Investimento. Porque caíram estes projetos de interesse nacional



 
 21.Setembro.2017

Fábricas novas com tecnologia avançada promovidas pelos investidores estrangeiros. As unidades da La Seda e da Pescanova caíram com mais de 100 milhões em apoios públicos. E a crise não explica tudo. 

Uma fábrica de um produto químico com um nome estranho (PET) em Sines. E, mais a norte (a 360 quilómetros pela A1), uma unidade de produção de peixe (pregado). Os dois projetos têm mais em comum do que parece à primeira vista. São dois investimentos emblemáticos promovidos por grupos espanhóis — a La Seda e a Pescanova –, mas que acabaram por queimar os bancos portugueses que os financiaram e o Estado que os apoiou com incentivos financeiros e fiscais.

A Artlant de Sines e a Acuinova na praia de Mira sofreram os efeitos da recessão económica internacional e da crise nos mercados ibéricos, os problemas financeiros e eventuais fraudes dos seus acionistas, tudo motivos válidos para falharem. Mas há outras razões. Também houve erros de conceção, de fabrico e localização nestes investimentos, erros esses que dificultam os esforços para viabilizar estas unidades. As duas fábricas construídas de raiz com a tecnologia de ponta, viradas para a exportação, acabaram por ser declaradas insolventes, este verão.

O Estado português, através da AICEP e do IFAP (Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas) está a reclamar mais de cem milhões de euros de incentivos concedidos a estes dois projetos, sendo que mais de metade deste valor nem sequer é um crédito reconhecido pelo gestor judicial. As fábricas da La Seda e da Pescanova são dos projetos PIN (Pontencial Interesse Nacional) mais emblemáticos, ambos reconhecidos e decididos nos Governos liderados por José Sócrates — o então primeiro-ministro marcou presença no arranque dos dois investimentos — com apoios do Estado, mas também empréstimos da Caixa Geral de Depósitos.

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