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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Número de licenciados pelo ensino privado caiu 41% em dez anos



 
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Crise económica, demografia e aumento de oferta pública terão contribuído para a quebra. Menos alunos inscritos no privado há cinco anos resultaram em menos diplomados no ano passado

Joana Bourgard


As razões para a descida do número de diplomados pelo ensino superior privado nos últimos anos serão várias: menos jovens, mais dificuldades sentidas pelas famílias, quebra de confiança. Em 2015/16, foram entregues 12.210 diplomas a finalistas no ensino privado – menos 1545 do que no ano anterior.

Não se tratará de um fenómeno novo, considera no entanto João Redondo, presidente da Associação Portuguesa de Ensino Superior Privado (APESP), mas da consequência da quebra das entradas a partir do início desta década. “O número de ingressos diminuiu e é essa diminuição que se está a ver agora” no número de saídas de diplomados, explica João Redondo, para quem a crise vivida nas famílias e o facto de haver menos jovens entre a população portuguesa contribuíram bastante para a redução sentida a partir de 2009 ou 2010. 

António Cunha, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), faz uma leitura semelhante ao associar esta quebra de licenciados à quebra de alunos inscritos em universidades ou politécnicos privados, que se acentuou a partir de 2012. Os números, contudo, começaram a baixar há mais tempo. De acordo com a Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), e feitas as contas aos últimos dez anos, o privado teve menos 41% de licenciados no ano passado do que em 2005/6 quando tinham sido 20.772.

O universo de estudantes diplomados pelo ensino superior privado cresceu todos os anos, de forma significativa, mas só até 2000/2001. Manteve-se depois acima dos 21 mil até 2003/2004. Mas a partir do ano seguinte, desceu para cerca de 20 mil, ficando depois em cerca de 19 mil, e registando uma queda brusca em 2012/13 quando o total de licenciados pelo ensino privado – universitário ou politécnico – não passou dos 16.778. A descida continuou todos os anos até 2015/2016.

Questão demográfica e a crise

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